Racismo

Operadora de caixa leva tapa no rosto durante atendimento e caso revolta autoridades

Pessoas que estavam no local discutiram com o suspeito, que chegou a gritar: “Ela tem que ter educação. Chama a polícia”


Reprodução Operadora de caixa leva tapa no rosto durante atendimento e caso revolta autoridades
Antonio Marcos Brasileiro Sales agrediu operadora de caixa

O empresário Antonio Marcos Brasileiro Sales, ex-candidato a vereador pelo Podemos em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, foi identificado como o homem flagrado agredindo uma operadora de caixa de 22 anos dentro de um supermercado da cidade. O caso ocorreu na última terça-feira (19) e ganhou repercussão nacional após imagens das câmeras de segurança mostrarem o momento em que o cliente dá um tapa no rosto da funcionária durante o atendimento.

Segundo informações divulgadas pelo portal Pragmatismo Político, a vítima registrava as compras quando Antonio Marcos segurou o queixo da jovem. Ela reagiu afastando o braço do cliente. Em seguida, o homem desferiu um tapa no rosto da operadora de caixa diante de clientes e funcionários do estabelecimento.

Após a agressão, colegas de trabalho retiraram a funcionária do caixa e a levaram para uma sala reservada do supermercado. Pessoas que estavam no local discutiram com o suspeito, que chegou a gritar: “Ela tem que ter educação. Chama a polícia”.

Apesar da violência registrada pelas câmeras de segurança, Antonio Marcos não foi preso em flagrante. O caso segue sob investigação da Polícia Civil da Bahia.

Pastor? Igrejas desmentem vínculo religioso

Depois da repercussão do caso, o agressor teria se apresentado como pastor evangélico. No entanto, a Associação de Ministros Evangélicos de Luís Eduardo Magalhães informou oficialmente que Antonio Marcos Brasileiro Sales nunca integrou o quadro da entidade.

A Primeira Igreja Batista também divulgou nota esclarecendo que ele é apenas frequentador da igreja e não exerce qualquer cargo pastoral ou função de liderança religiosa.

Lula reage ao caso e cita racismo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também comentou a agressão durante entrevista ao programa “Sem Censura”, exibida na sexta-feira (22). Lula afirmou que tomou conhecimento do episódio após a primeira-dama Janja mostrar as imagens no celular.

Segundo o presidente, a operadora de caixa teria sido chamada de “negra petista” pelo agressor durante a confusão no supermercado.

“Eu estava no avião, passei mensagem para o governador da Bahia e pedi para ele ir lá. Não é possível que um cidadão desse, em pleno século 21, ainda não saiba que acabou a escravidão”, declarou Lula. 

Jerônimo Rodrigues classifica agressão como “repugnante”

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, comentou o episódio neste sábado (23) e afirmou ter recebido as imagens “com indignação e revolta”. Em publicação nas redes sociais, o governador classificou a agressão contra a trabalhadora como “repugnante” e defendeu uma resposta firme da Justiça.

“Não podemos admitir que o ódio, a violência e a discriminação se instalem em nosso país”, afirmou Jerônimo.

Segundo o governador, o governo estadual determinou acompanhamento do caso e apoio à vítima por meio das estruturas do Estado. Ele também informou que mantém diálogo com o Ministério Público para garantir responsabilização do agressor.

O boletim de ocorrência foi registrado pela vítima e pelo gerente do supermercado logo após a agressão. As imagens das câmeras de segurança continuam circulando nas redes sociais e provocaram forte reação de autoridades e internautas.

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