OLHA A ARAPUCA! Imposto de Renda: temor do governo é alteração sem compensação
Oposição pode apresentar uma emenda para ampliar ainda mais a faixa de isenção, sem definir de onde viriam os recursos para compensar a perda de arrecadação
Apesar da expectativa de que o projeto de isenção do Imposto de Renda volte à pauta na próxima semana, governistas demonstram apreensão quanto ao rumo da votação. O principal receio é que a oposição ou setores do Centrão apresentem uma emenda para ampliar ainda mais a faixa de isenção, sem definir de onde viriam os recursos para compensar a perda de arrecadação.
Hoje, a versão mais recente do relatório prevê isenção total para quem recebe até R$ 5 mil e desconto parcial para rendas de até R$ 7.350. Qualquer tentativa de expandir esses limites colocaria o governo em situação delicada: não teria como orientar a base a votar contra, já que se trata de uma medida popular, mas tampouco dispõe de espaço fiscal para bancar a conta.
Parlamentares do União Brasil, por exemplo, já chegaram a sugerir a retirada das compensações previstas, que hoje incluem sobretaxa de até 10% para salários acima de R$ 50 mil e de 10% para quem recebe acima de R$ 100 mil.
Outros entraves no caminho
Além da disputa em torno da compensação, há fatores políticos que pesam contra a votação:
Baixo pagamento de emendas parlamentares: até agora, apenas 2% das emendas de comissão foi empenhado — R$ 215 milhões de um total autorizado de R$ 11,5 bilhões. Deputados acusam o governo de segurar os recursos; o Planalto alega que faltam documentos de comprovação enviados pelos próprios parlamentares.
Atrito do Centrão com o PT: a orientação do partido contra a PEC da Blindagem contrariou expectativas do presidente da Câmara, Hugo Motta, e irritou aliados.
Desembarque do União Brasil: o partido aprovou resolução determinando que seus filiados deixem cargos no governo Lula, em meio a denúncias envolvendo seu presidente nacional, Antonio de Rueda. Embora a bancada seja dividida, a tendência é de maior alinhamento com a oposição.
Foco no projeto da anistia: a escolha de Paulinho da Força (Solidariedade-SP) como relator da proposta reacendeu as articulações sobre redução de penas para os condenados do 8 de janeiro, tema que pode ofuscar a pauta do Imposto de Renda.
Eleições de 2026: partidos do Centrão avaliam que a aprovação da medida fortaleceria a popularidade do governo Lula, o que poderia enfraquecer candidaturas da oposição, em especial a de Tarcísio de Freitas (Republicanos), visto como nome competitivo para a sucessão presidencial.
O papel de Arthur Lira
O relator da proposta, ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), deve se reunir com líderes partidários na próxima terça-feira. Aliados afirmam que sua avaliação é realista: se o texto não avançou até agora, é porque ainda não há clima político para votação.
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