O FILHO NÃO É TEU: Flávio Bolsonaro quis pegar a onda da isenção do Imposto de Renda
Medida unânime no Senado aumenta justiça tributária e beneficia a maior parte da população brasileira
Durante a sessão do Senado que aprovou o projeto do governo Lula (PT) que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou atribuir a autoria da medida ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao orientar o voto do Partido Liberal, ele afirmou apoiar a proposta porque “também era um compromisso de campanha do presidente Bolsonaro”.
A declaração, entretanto, foi contestada imediatamente pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Costa lembrou que, embora Jair Bolsonaro tenha prometido a isenção do IR durante a campanha de 2018, não cumpriu a promessa ao longo de seu mandato. “Passaram-se quatro anos e ele não fez nada. Durante todo esse período, a população brasileira sofreu com a ausência de correção da tabela do Imposto de Renda”, afirmou. O petista também rebateu críticas de aliados do PL sobre a situação econômica. “Eles vêm aqui falar de desemprego quando estamos vivendo a menor taxa histórica, resultado de políticas econômicas bem-sucedidas. Hoje, estamos iniciando uma reforma do Imposto de Renda que promoverá justiça tributária efetiva”, completou.
O projeto do governo federal, apresentado em março, foi aprovado por unanimidade no Senado e agora segue para sanção do presidente Lula. A proposta estabelece isenção total do IR para quem recebe até R$ 5 mil por mês, enquanto aumenta a tributação sobre as faixas de renda mais altas. Estima-se que cerca de 25 milhões de brasileiros se beneficiarão da medida, enquanto aproximadamente 200 mil contribuintes de renda elevada passarão a pagar mais.
Para compensar a redução na arrecadação, o projeto inclui uma alíquota progressiva adicional de até 10% sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil e tributa em 10% lucros e dividendos enviados para o exterior. O objetivo é combater a evasão fiscal e aumentar a arrecadação federal sem prejudicar a população de renda média e baixa.
A relatoria do projeto ficou a cargo de Renan Calheiros (MDB-AL), que classificou a aprovação como “um dia histórico”. Segundo ele, a medida beneficia 90% da população e representa o início de uma reforma tributária mais justa. O presidente Lula também comemorou a aprovação unânime, ressaltando que a política fortalece a justiça social e garante mais dinheiro no bolso de quem trabalha. “Quem ganha muito contribui com sua justa parte. É uma vitória da democracia e do povo brasileiro”, declarou, agradecendo a Renan Calheiros e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pela condução do processo.
Deixe sua opinião: