Política

O desânimo do velho guerreiro com um país sem rumo, por Luís Nassif

É hora de Lula se debruçar sobre o país, para se saber se ele ainda tem a gana histórica ou se as pedras no caminho tiraram seu ânimo


Foto: DivulgaçãoPresidentes do Brasil
Presidentes do Brasil

Por Luis Nassif, jornalista, no GGN 

O velho guerreiro da Constituinte anda desanimado com o país. Assiste o fim da geração da redemocratização e não vê nada que a substitua.

Na Constituinte, havia princípios forjados a ferro e fogo na luta pela democracia. Saía-se de um regime militar desenvolvimentista e tinha-se, pela frente, dois partidos desenvolvimentistas e democráticos: o PSDB, que nasceu das entranhas dos autênticos do MDB, e o PT.

O Real foi o primeiro golpe, ao instituir definitivamente o neoliberalismo mais escarrado, desmontando a máquina pública com a mesma falta de estratégia da União Soviética. Depois, foi desminlunguindo, especialmente quando assumiram a liderança José Serra e Aécio Neves.

Por seu lado, o PT tinha Lula e um projeto social, mas não um projeto de desenvolvimento. Foi massacrado pelo mensalão e pela Lava Jato e, também pela burocratização dos tempos políticos atuais.

Agora, só tem Lula, que parece ter ligado o f….-se, tais as dificuldades do novo modelo de governabilidade. As sucessivas concessões ao Centrão criaram um monstro indomável, desde a posse de Temer, crescendo mais ainda sob a incomptência do governo militar de Jair Bolsonaro.

Lula demorou para perceber os novos tempos, diz ele. Agora, quem comanda o governo e comanda os partidos é a Câmara Federal e a bancada de deputados. Todo esforço partidário se concentra em deputados, porque é a porta de entrada para os fundos partidários.

Com isso, houve a burocratização total, não apenas no âmbito federal como dos estados e municípios e não apenas do centrão, mas do próprio PT. Em Belo Horizonte, por exemplo, o único candidato com possibilidades é Paulo Brandt, do PSB. Mas não é aceito pelo PT porque os deputados necessitam de candidatos vereadores para ajudar a dar musculatura para suas candidaturas. Enquanto isto, florescem por todo o país movimentos sociais, dinâmicos, fora do alcance dos partidos.

Em Brasilia, o governo está uma bagunça. Todos os governos, pós redemocratização, tinham na Casa Civil seu ponto de organização, ajudando a botar ordem na casa e a dar efetividade para as ordens do presidente. Fernando Henrique Cardoso teve Clóvis Carvalho e Pedro Parente; Lula teve José Dirceu e Dilma. Hoje em dia, há enorme dificuldade para Rui Costa dar conta do recado, ampliando a desordem de um governo de coalisão.

O pior é mais à frente, diz ele. A única liderança existente é Lula. Não se formaram quadros, não se ampliaram as alianças e, principalmente, não se definiu um plano de desenvolvimento, capaz de sensibilizar corações e mentes. E tudo isso em uma quadra em que o Centrão se tornou uma piranha insaciável, que quer a cada dia ampliar seu poder.

Agora que Lula está de volta da bem sucedida ofensiva diplomática, é hora de se debruçar sobre o país, para se saber se ele ainda tem a gana histórica ou se as pedras no caminho tiraram seu ânimo.

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