O bolsonarista Rodrigo Manga é líder de organização criminosa, diz PF
Afastamento de 180 dias de Rodrigo Manga ocorre após investigação revelar organização criminosa e fraudes em contratos públicos.
O prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), foi afastado do cargo por 180 dias após investigação da Polícia Federal apontar que ele seria o líder de uma organização criminosa e o principal beneficiário de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos.
Documentos detalham o funcionamento do suposto esquema e a participação do cunhado de Manga e de um empresário, presos na segunda fase da Operação Copia e Cola em 6 de novembro.
A PF identificou indícios de que as atividades ilícitas estavam diretamente ligadas ao exercício do cargo de prefeito, iniciando-se logo nos primeiros dias do mandato, em janeiro de 2021. Segundo o relatório, “a suspensão da função pública se mostra de suma importância para interromper os crimes praticados na Administração Municipal de Sorocaba”.
Esquema de lavagem de dinheiro
O principal método de lavagem teria sido contratos de publicidade fictícios, firmados pela empresa da esposa de Manga, Sirlange Rodrigues Frate (2M Comunicação e Assessoria), com empresas ligadas a outros investigados:
Sim Park Estacionamento Eireli, de Marco Silva Mott (R$ 448,5 mil);
Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, ligada ao cunhado Josivaldo de Souza e à cunhada Simone Rodrigues Frate Souza (R$ 780 mil).
Esses contratos tinham a função de dar aparência legal ao dinheiro ilícito e reinseri-lo na economia formal.
Fraudes em contratos e licitações
Entre os crimes destacados estão:
Contratação ilegal da Organização Social Instituto de Atenção à Saúde e Educação (antiga Aceni) para gerir a UPA do Éden;
Tentativa de fraudar licitação envolvendo a mesma organização para administrar a UPH da Zona Oeste.
Mensagens interceptadas sugerem pressão direta de Manga para assinatura de contratos emergenciais, indicando seu envolvimento direto nas decisões.
Além disso, há indícios de compra de imóvel com parte do pagamento em dinheiro vivo, com participação de terceiros para ocultar R$ 182,5 mil.
Papéis dos investigados
Josivaldo de Souza (cunhado): atuava como operador financeiro, mantendo uma “contabilidade paralela” de supostas propinas.
Marco Silva Mott (Sim Park): integrante da organização, com R$ 646,3 mil apreendidos, exercia grande influência sobre o grupo.
Defesa dos citados
A defesa de Rodrigo Manga alega que a investigação é nula, iniciada por autoridade incompetente.
Sirlange afirma que todas as operações foram legítimas e declaradas.
Representantes de Josivaldo, Simone e da igreja negam envolvimento em atividades ilícitas.
Marco Mott diz desconhecer os fatos e se manifestará após acesso às provas.
A Prefeitura de Sorocaba e demais empresas citadas afirmam não ter sido oficialmente notificadas.
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