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Nikolas diz "cagu.i pra Marielle Franco" mas lança campanha para demitir quem comemorou morte de Charlie Kirk

Ele pressiona empresas a demitirem funcionários que celebraram a morte do influenciador de extrema-direita norte-americano Charlie Kirk


Reprodução Nikolas diz "cagu.i pra Marielle Franco" mas  lança campanha para demitir quem comemorou morte de Charlie Kirk
Marielle Franco e Nikolas Ferreira

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deflagrou nas redes sociais uma campanha para pressionar empresas a demitirem funcionários que celebraram a morte do influenciador de extrema-direita norte-americano Charlie Kirk. Em publicação, o parlamentar afirmou que “o movimento começou” e orientou seus seguidores a denunciar casos dentro de ambientes de trabalho.

A iniciativa surgiu após o assassinato de Kirk, morto a tiros em 10 de setembro durante um evento na Universidade de Utah Valley, nos Estados Unidos. Aos 31 anos, ele era fundador da organização conservadora Turning Point USA e conhecido por posições alinhadas à direita americana. O caso ganhou grande repercussão internacional, com investigações em andamento sobre as motivações do crime.

Nikolas, que se apresenta como um dos principais defensores de Kirk no Brasil, declarou que manifestações de comemoração diante do assassinato seriam sinais de “extremismo” e não poderiam passar impunes. Em diferentes postagens, afirmou que a morte do ativista representa um ataque ao conservadorismo mundial e precisa gerar respostas políticas e sociais também no Brasil. Um dos alvos de sua mobilização foi o jornalista Eduardo Bueno, citado nominalmente pelo parlamentar.

A campanha, no entanto, provocou reações imediatas. Críticos apontaram que a proposta abre espaço para perseguição política dentro das empresas e configura cerceamento da liberdade de opinião, além de uso indevido de denúncias trabalhistas para fins ideológicos. O jornalista Renato Rovai, diretor da Revista Fórum, foi categórico: "O chupetinha iniciou uma campanha para que pessoas que fizeram posts comemorando a morte do extremista americano sejam demitidas. Eu nunca comentei morte de ninguém. Acho equivocado fazer posts celebrando a morte de quem quer que seja. Mas o sujeito que foi assassinado defendia a escravidão e o chupetinha defende o coronel Ustra. Que moral este ser tem pra cobrar alguém por extremismo?  E mais, não são eles que defendem a liberdade total de opinião. Ou só vale pra eles o direito à opinião? É uma gente espúria, que precisa ser combatida com todas as forças. Porque o que eles desejam é a nossa eliminação. São cruéis.  Bárbaros."

A polêmica também escancarou a incoerência do discurso do parlamentar mineiro. Enquanto lidera uma ofensiva contra quem ironizou a morte de Kirk, internautas resgataram um vídeo de entrevista em que ele, ao ser questionado sobre a execução da vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 2018, declara abertamente: “Caguei pra Marielle”.

Outro detalhe chama atenção: desde 11 de setembro, dia em que o Supremo Tribunal Federal selou a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, Nikolas não voltou a se pronunciar sobre o líder do PL. Enquanto aliados seguem defendendo o ex-presidente, o foco da comunicação do deputado deslocou-se quase integralmente para o caso de Charlie Kirk — reforçando a percepção de que o tema se tornou seu principal palanque político nas últimas semanas.

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