Mulher flagrada com padre denuncia vazamento de vídeo e polícia aponta constrangimento ilegal e dano psicológico à mulher
A Polícia Civil de Mato Grosso investiga o pai do ex-noivo da jovem flagrada com o padre Luciano Braga Simplício
A mulher flagrada em vídeo com o padre Luciano Braga Simplício, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Nova Maringá (MT), registrou um boletim de ocorrência, denunciando a divulgação indevida das imagens. A medida pode abrir caminho para uma ação judicial.
De acordo com a Polícia Civil, o caso é investigado dentro de um único inquérito, que apura crimes como invasão de domicílio, constrangimento ilegal, exposição de imagem íntima e dano psicológico à mulher. O delegado Franklin Alves, responsável pela apuração, informou que o pai do ex-noivo da jovem é um dos principais suspeitos de ter invadido a casa paroquial, gravado e vazado o vídeo, com apoio de amigos do casal e de uma mulher, todos alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos na quinta-feira (16).
Durante a operação, a polícia apreendeu três celulares, incluindo o aparelho do sogro da jovem. Os dispositivos serão periciados para identificar contradições entre os depoimentos e as mensagens trocadas entre os envolvidos. “Nosso objetivo é individualizar as condutas e entender o papel de cada um na invasão e na divulgação das imagens. A família do noivo, liderada pelo pai, foi quem expôs a situação”, explicou o delegado.
Defesa e repercussão
Em nota, o ex-noivo da jovem negou participação no episódio. Segundo a defesa, ele não estava na cidade no dia do ocorrido, pois viajava a trabalho para o Rio Grande do Sul. O comunicado pede que imprensa e público parem de divulgar o vídeo, argumentando que a exposição fere direitos constitucionais e viola o Marco Civil da Internet e o Código Penal.
Consequências na Igreja
O caso também gerou consequências internas. Segundo o Código de Direito Canônico de 1983, padres do rito latino são proibidos de manter relações afetivas ou sexuais, sob pena de advertência, suspensão ou afastamento definitivo.
A Diocese de Diamantino (MT), responsável pela paróquia, divulgou nota informando que abriu uma investigação canônica e afastou o padre Luciano Braga Simplício de suas funções. “Todas as medidas previstas estão sendo tomadas. Pedimos compreensão e oração de todos”, afirmou o comunicado.
O padre Pedro Hagassis, de 76 anos, foi designado para assumir as celebrações religiosas. A Paróquia Nossa Senhora Aparecida desativou suas redes sociais após a repercussão do caso.
O vídeo
As imagens mostram homens arrombando portas da casa paroquial enquanto o padre se recusava a abrir. Em seguida, a jovem — identificada como Isabelle, de 21 anos, que atuava como acólita na igreja — é encontrada chorando e escondida embaixo da pia do banheiro. O vídeo se espalhou rapidamente pelas redes, provocando indignação e protestos contra a violação da intimidade da mulher.
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