Moraes alerta: Bolsonaro ainda pode ir para a cadeia se continuar desafiando o STF
A advertência veio junto à decisão de impor prisão domiciliar ao ex-chefe do Executivo, hoje, após o descumprimento reiterado de medidas cautelares impostas pelo STF
O ministro Alexandre de Moraes mandou um recado direto ao ex-presidente Jair Bolsonaro: se continuar “esticando a corda”, poderá acabar atrás das grades. A advertência veio junto à decisão de impor prisão domiciliar ao ex-chefe do Executivo, anunciada nesta segunda-feira (4), após o descumprimento reiterado de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal. As informações são do jornalista Leonardo Sakamoto, do UOL.
Bolsonaro, que está proibido de usar redes sociais — inclusive de terceiros —, participou de eventos políticos e permitiu que declarações suas fossem veiculadas pelos perfis do senador Flávio Bolsonaro e do deputado Nikolas Ferreira. Ambos atuaram como porta-vozes de mensagens que incitavam a base bolsonarista durante manifestações no Rio de Janeiro e em São Paulo. Nessas ocasiões, além de exaltações ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, houve ataques à soberania brasileira e pedidos de mais sanções ao país.
Como destaca Sakamoto, a tornozeleira eletrônica que Bolsonaro passou a usar não está ligada diretamente ao inquérito do 8 de janeiro, mas sim à investigação sobre Eduardo Bolsonaro, que teria conspirado com setores do governo dos EUA para interferir no julgamento do próprio pai. Jair acabou sendo incluído no mesmo inquérito e, desde então, vinha sendo monitorado eletronicamente.
Ao utilizar as redes de aliados para contornar as proibições impostas pela Justiça, Bolsonaro não apenas desrespeitou decisões judiciais, como também operou para mobilizar atos que fragilizam as instituições democráticas. Moraes, diante dos indícios, poderia ter decretado prisão preventiva, mas optou por uma medida menos drástica: a prisão domiciliar. A escolha, segundo análises, evita que Bolsonaro se transforme em mártir diante de seus seguidores mais fiéis — ao menos por enquanto.
O alerta, no entanto, foi lançado: se o comportamento continuar, a cadeia será o próximo destino. E tudo indica que Bolsonaro não recuará. A vitimização alimenta sua base, que já respondeu com atos de rua expressivos — como o recente protesto na Avenida Paulista, impulsionado também pelo tarifaço norte-americano contra o agronegócio brasileiro.
A tendência, segundo Sakamoto, é que Bolsonaro seja condenado. Mas o bolsonarismo se prepara para reagir com força, tensionando as instituições e ameaçando arrancar um pedaço da democracia no processo. A prisão domiciliar, portanto, pode ser apenas uma etapa de um embate que ainda está longe do fim.
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