Política

Médici adotou neta como filha e ela recebe R$ 35 mil mensais de pensão

Brasil gasta muito e mal com os militares


Foto: Montagem pensarpiauiEmílio Médici
Emílio Médici

O Brasil gasta muito -- e mal -- com as Forças Armadas.

O exemplo mais bizarro de mordomia é o do ditador Garrastazu Médici, que governou o Brasil de 1969 a 1974, no auge da ditadura que fechou o Congresso, censurou, matou e desapareceu com adversários políticos.

Pouco antes de morrer, Médici adotou a própria neta, de 21 anos e com pais vivos, como se fosse sua filha. Quando ele e sua viúva morreram, a neta que se tornou filha herdou uma pensão paga até hoje, de R$ 35 mil reais. A Fórum suprimiu o nome da neta deste texto para evitar ataques pessoais nas redes. Ela tem direito vitalício à pensão desde que se mantenha oficialmente solteira, assim como outras 144 mil filhas de militares.

Além disso, há o caso dos militares mortos-vivos, afastados por cometimento de crimes variados. As esposas deles são consideradas "viúvas" e tem direito a receber a pensão para manter a família.

O analista Jeferson Miola decidiu se desbruçar sobre o impacto das Forças Armadas no Orçamento brasileiro desde que elas assumiram protagonismo como não se via desde a ditadura, no governo Bolsonaro.

Para ele, foi um governo militar de tinturas fascistas.

Miola sustenta que os militares consomem R$ 106 bilhões para cuidar de 375 mil soldados da ativa mas, principalmente, para dar conta de pagar pensões aos reservistas, viúvas e filhas solteiras. Enquanto isso, o SUS recebeu R$ 143 bi com a tarefa de cuidar de 200 milhões de brasileiros.

Ainda assim, a taxa de investimento das Forças Armadas em preparo militar é baixíssima, a ponto de Miola prever que o Brasil seria derrotado pela inexistente Marinha boliviana -- é uma licença poética.

Para complicar ainda mais, 75% do investimento é destinado à compra de armas e equipamentos dos Estados Unidos, historicamente a maior ameaça às democracias do Brasil e da América do Sul.

Miola rechaça a reivindicação endossada pelo ministro da Defesa José Múcio, que defende aumentar o Orçamento militar do Brasil para 2% do PIB nos próximos três anos.

O analista propõe uma reforma das Forças Armadas conduzida pelos civis, que as coloque estritamente no seu papel institucional, de segurança contra ameaças externas.

Segundo Miola, falta coragem aos civis para enquadrar os militares, por isso a persistência do dúbio artigo 142 da Constituição, que os fardados interpretam como atribuindo a eles o "poder moderador".

Miola nota que, no âmbito castrense, nenhum dos envolvidos na tentativa de dar um golpe em 8 de janeiro recebeu punição administrativa, nem mesmo o tenente coronel Mauro Cid.

Ou seja, os militares vivem em um mundo à parte, cheio de privilégios, como se os paisanos fossem cidadãos de segunda categoria.

Dada à rapidez como tem mudado a conjuntura, Miola acredita que os militares tem um projeto político próprio, que vai renascer em momento de instabilidade econômica e institucional.

Se o Brasil civil anistiá-los, como aconteceu em 1985, mesmo dos crimes contra a Humanidade cometidos durante a pandemia, eles vão voltar.

Só que, na opinião de Miola, as Forças Armadas aprenderam com os erros cometidos ao longo do governo Bolsonaro

O analista faz um alerta sombrio: "Se eles voltarem, voltam para algo muito pior do que a gente viu nesses últimos quatro anos de Bolsonaro".

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