Mário Frias enviou R$ 154 mil da cota parlamentar à produtora de “Dark Horse”
Empresa recebeu recursos da cota parlamentar do deputado e é citada em investigação sobre contrato milionário da Prefeitura de São Paulo
Ao menos R$ 154 mil da cota parlamentar do deputado Mário Frias (PL-SP) foram destinados à Complexsys Soluções Integradas Ltda., empresa citada em investigação da Polícia Civil sobre supostas irregularidades em contratos entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo. A apuração também analisa a relação entre a empresa e a entidade responsável por um contrato de R$ 108 milhões.
O que aconteceu
Dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados mostram que a Complexsys recebeu R$ 154 mil do gabinete de Mário Frias entre setembro de 2024 e abril de 2026. Antes disso, entre abril de 2023 e agosto de 2024, a empresa GTrend recebeu R$ 115,6 mil do mesmo gabinete.
A GTrend pertence a Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e sócia da produtora Go UP, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo apuração da GloboNews, Wemerson afirmou acreditar que sua empresa foi contratada em razão da relação familiar com Karina. Ele disse ainda que executou parte dos serviços, mas que diversas propostas apresentadas ao gabinete foram rejeitadas.
A substituição da GTrend pela Complexsys ocorreu após o fim do relacionamento entre Wemerson e Karina. Os pagamentos foram realizados para serviços descritos como “CRM Político”, sistema utilizado para gestão de relacionamento com eleitores e acompanhamento das atividades parlamentares. Documentos obtidos pela reportagem apontam que notas fiscais emitidas pelas duas empresas apresentavam descrições idênticas dos serviços prestados.
A Polícia Civil também investiga a ligação entre o ICB e a Complexsys. Entre os documentos analisados está uma nota fiscal de R$ 2 milhões emitida pela empresa em novembro de 2025, posteriormente cancelada no sistema da Prefeitura, mas incluída pelo instituto na prestação de contas apresentada ao município.
O inquérito apura suspeitas de direcionamento de chamamento público, falta de capacidade técnica, pagamentos por serviços não executados e possível sobrepreço no contrato de R$ 108 milhões para instalação de wi-fi gratuito em comunidades da capital paulista.
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