Manifestação “Acorda Brasil” tem adesão modesta e expõe divisões no bolsonarismo
Segundo levantamento do grupo Monitor do Debate Político, em parceria com a ONG More in Common, o evento “Acorda Brasil” contou com cerca de 4,7 no RJ
O ato convocado nacionalmente pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ficou aquém da expectativa criada nas redes sociais e teve adesão considerada modesta no Rio de Janeiro. A manifestação, realizada na manhã deste domingo (1º), na Praia de Copacabana, reuniu público reduzido diante da projeção feita por aliados do parlamentar. Segundo levantamento do grupo Monitor do Debate Político, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em parceria com a ONG More in Common, o evento “Acorda Brasil” contou com cerca de 4,7 mil participantes na capital fluminense.
Além do Rio, foram registrados atos em Brasília, Goiânia, Belo Horizonte, Salvador, São Bernardo do Campo e Ribeirão Preto. Apesar da mobilização em diferentes cidades, os números não indicaram uma demonstração massiva de força nacional. No Rio, discursaram parlamentares do PL, como Carlos Jordy, Sóstenes Cavalcante, Altineu Côrtes, General Pazuello e o senador Carlos Portinho, além do secretário estadual Douglas Ruas, pré-candidato ao governo fluminense.
Em São Paulo, a manifestação ocorreu na Avenida Paulista e marcou o primeiro ato bolsonarista após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e a escolha do senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato ao Planalto. Mesmo com a presença de lideranças nacionais, como Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, o evento não alcançou a dimensão de grandes mobilizações registradas em anos anteriores.
Convocado por Nikolas Ferreira e pelo pastor Silas Malafaia, o protesto teve como pautas centrais críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal e defesa de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. No entanto, divergências internas sobre o foco do ato e o tom dos ataques ao STF expuseram divisões no campo bolsonarista.
Durante os discursos, Nikolas adotou retórica contundente contra Lula e ministros da Corte. Malafaia também elevou o tom contra Alexandre de Moraes, enquanto outros parlamentares alternaram críticas ao governo federal e à atuação do Supremo. A organização chegou a cogitar medidas preventivas para evitar excessos nas falas, refletindo a preocupação com possíveis implicações legais.
Apesar do esforço de mobilização nacional, o comparecimento abaixo do esperado no Rio e a ausência de consenso pleno sobre a estratégia política indicaram dificuldades do grupo em transformar a convocação virtual em demonstração expressiva de rua neste início de ano eleitoral.
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