Macaé Evaristo promete perícia independente e diz que operação foi 'um fracasso'
Titular dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo afirma que ação da polícia no RJ foi 'uma tragédia, um horror inominável'
Em reunião com familiares das vítimas da operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, e representantes da comunidade, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, anunciou que o governo vai solicitar uma perícia independente dos corpos dos mortos.
“Na nossa visão, a perícia no local está muito prejudicada”, afirmou a ministra, que participou de uma comitiva do governo e da Câmara dos Deputados em visita ao complexo da Penha.
Em entrevista coletiva após o encontro, Macaé classificou a operação como “um fracasso, uma tragédia, um horror inominável”. Segundo ela, combater o crime organizado requer ações estratégicas, e não apenas a presença policial que coloca crianças, idosos e pessoas com deficiência em situação de risco.
A gestão do governador Cláudio Castro (PL) informou que a operação resultou em 121 mortos, incluindo quatro policiais. O governador, no entanto, classificou a ação como “um sucesso”.
Nesta quinta-feira (30), ministros do governo Lula se reuniram na sede da Cufa (Central Única das Favelas), próxima à Praça São Lucas, onde os corpos foram levados na quarta-feira. Durante o encontro, familiares relataram o desespero vivido durante a operação e na busca pelos corpos na mata da Serra da Misericórdia.
A ministra Macaé ressaltou que a Polícia Federal colocou peritos à disposição e anunciou medidas de apoio aos familiares e moradores, incluindo atendimento psicossocial e proteção a testemunhas, com atenção especial às crianças. “Segurança é um direito de toda a população. Não adianta segurança se não estiver associada a políticas públicas de saúde e educação”, afirmou.
Durante o encontro, um morador pediu acesso às imagens das câmeras corporais dos policiais, que ainda não foram divulgadas. Macaé afirmou que a demanda será incluída na pauta de ações.
A ministra Anielle Franco, emocionada, destacou a importância de ouvir a própria comunidade: “Só quem sabe da favela é o favelado. Ser cria da favela da Maré me faz chegar nesse espaço e nunca esquecer de onde vim”.
Entre os deputados federais presentes estavam Benedita da Silva (PT-RJ), Reimont (PT-RJ, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara), Glauber Braga (PSOL-RJ), Chico Alencar (PSOL-RJ), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Jandira Feghalli (PCdoB-RJ) e Otoni de Paula (MDB-RJ).
Operação e ‘muro do Bope’
Segundo o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes, a operação contou com uma estratégia chamada de “muro do Bope”: policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) cercaram suspeitos na Serra da Misericórdia, enquanto outro grupo aguardava em posição estratégica.
A Serra da Misericórdia tem pouco mais de 300 mil metros quadrados, com altitudes variando entre 100 e 200 metros — o Alemão fica a 167 metros, e a Penha a 111 metros. A vegetação de reflorestamento cobre os bairros de Tomás Coelho, Engenho da Rainha, Vicente de Carvalho (onde está o Morro do Juramento), Penha e Complexo do Alemão.
A região é conhecida por ser rota de fuga e esconderijo de traficantes do Comando Vermelho, além de local de realização do chamado “tribunal do tráfico”, prática de assassinatos ordenados por líderes do crime organizado.
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