Política

Lula e Trump terão encontro no domingo, na Malásia

O encontro terá caráter simbólico e não deve tratar de negociações detalhadas, mas reforçar a reaproximação entre os dois países.


IA Lula e Trump terão encontro no domingo, na Malásia
Lula e Trump: encontro marcado

O presidente Lula (PT) reservou o próximo domingo para uma conversa rápida e simbólica com Donald Trump, durante a cúpula da ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático), em Kuala Lumpur, nos dias 26 e 27. Devido ao fuso horário, 11 horas à frente do Brasil, o encontro pode ocorrer na noite de sábado (25) no horário brasileiro. A data foi confirmada pelo Itamaraty ao UOL.

Não se trata de uma reunião para negociar detalhes bilaterais. Segundo integrantes do governo brasileiro, a retomada das negociações sobre tarifas já está sendo conduzida pelas equipes técnicas, e o objetivo principal é registrar uma foto que simbolize a reaproximação. A imagem de ambos os líderes de mãos dadas seria um marco para encerrar a maior crise entre Brasil e Estados Unidos nos últimos 200 anos.

Se confirmado, será o primeiro encontro formal entre Lula e Trump. Até agora, eles só se encontraram brevemente na antessala da Assembleia Geral da ONU, ocasião em que Trump elogiou Lula e afirmou ter “pintado uma química” entre os dois. Na semana passada, conversaram por telefone pela primeira vez.

Desde então, o diálogo entre os países tem avançado. Pelo lado brasileiro, as negociações são conduzidas pelo chanceler Mauro Vieira e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Do lado americano, a intermediação cabe ao secretário de Estado, Marco Rubio, com quem Vieira já se reuniu em Washington. Na ocasião, o chanceler pediu a retirada da sobretaxação de 40% sobre produtos como carne e café, levando a mensagem de que o Brasil está disposto a ampliar o superávit comercial com os EUA.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não tem sido tema das conversas, e a questão que motivou inicialmente a extrataxação americana — seu julgamento — foi substituída por pautas econômicas.

A única pauta sensível deverá ser a Venezuela. Lula já pediu a Trump, em telefonema anterior, que a situação seja resolvida por “vias diplomáticas”. A tensão aumentou recentemente com a confirmação de que Trump autorizou a CIA a interferir no país. Lula criticou a decisão na última quinta-feira, durante congresso do PCdoB, defendendo a soberania venezuelana. Apesar disso, interlocutores afirmam que o presidente brasileiro não deve entrar em conflito direto sobre o tema durante o encontro.

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