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Jaguaré vive sua “Saudosa Maloca”, moradores acompanham demolição de imóveis após explosão fatal

Entre escombros, poeira e lágrimas, famílias do Jaguaré veem suas casas desaparecerem após explosão causada durante obra e enfrentam agora o drama de reconstruir a própria vida


Reprodução Jaguaré vive sua “Saudosa Maloca”, moradores acompanham demolição de imóveis após explosão fatal
Moradores acompanham demolição de imóveis após explosão fatal

A explosão no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, não destruiu apenas paredes. Arrancou histórias inteiras debaixo do teto de famílias humildes que agora olham para os escombros tentando entender onde vão dormir, onde vão cozinhar, onde vão recomeçar. A Defesa Civil iniciou nesta quinta-feira (14) a demolição de cinco imóveis completamente condenados após o acidente provocado durante uma obra da Sabesp, em uma comunidade localizada entre a Rua Doutor Benedito de Moraes Leme e a Rua Piraúba.

No lugar onde antes havia casas simples, panelas no fogão, retratos na parede e crianças correndo pelos corredores apertados da comunidade, restaram poeira, concreto quebrado e o silêncio pesado de quem perdeu tudo. A cena lembra a dor eternizada na canção “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, quando os moradores assistem impotentes à destruição do próprio lar. Só que, desta vez, não é poesia. É realidade dura, quente, fumegando no meio da periferia paulistana.

Segundo o governo estadual, a demolição foi determinada após solicitação da Polícia Técnico-Científica, que precisa escavar a área para buscar evidências que ajudem a esclarecer as causas da explosão. Até o momento, 112 imóveis foram vistoriados pelas equipes da Defesa Civil. Desses, 27 seguem interditados — sete a mais do que no dia anterior — enquanto 85 foram liberados para o retorno dos moradores.

As residências receberam classificação de risco por cores:

Verde: famílias autorizadas a retornar;
Amarelo: retirada de pertences com cautela;
Laranja: retirada acompanhada por equipes técnicas;
Vermelho: imóvel totalmente interditado.

Para muitas famílias classificadas no vermelho, não existe mais “voltar para casa”. Porque a casa deixou de existir.

A explosão ocorreu durante uma obra de remanejamento de tubulação de água. Em nota conjunta, a Sabesp e a Comgás informaram que uma rede de gás teria sido atingida durante o serviço. O resultado foi devastador.

Duas pessoas morreram. Francisco Altino, de 62 anos, que estava internado em estado grave no Hospital Regional de Osasco desde o dia da explosão, não resistiu aos ferimentos e morreu nesta quinta-feira. A primeira vítima fatal foi encontrada sob os escombros logo após o acidente pelo Corpo de Bombeiros. Outra pessoa segue internada no Hospital das Clínicas da USP.

Enquanto máquinas derrubam as estruturas condenadas, moradores recolhem o que conseguem salvar: roupas cobertas de poeira, móveis quebrados, documentos molhados, fotografias rasgadas. Gente que agora revive, na vida real, a dor cantada por Adoniran: ver a própria maloca desaparecer sem saber para onde ir.

No Jaguaré, o barulho das retroescavadeiras mistura-se ao choro abafado de quem ficou sem teto. E, diante dos destroços, sobra a pergunta que nenhuma perícia consegue responder rapidamente: quem vai reconstruir a vida dessas famílias? 

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