INDULTO: Tarcísio promete a Bolsonaro, Haddad nega a Lula
Dois vídeos que circulam nas redes sociais ajudam a compreender de forma cristalina a diferença de postura entre os líderes políticos brasileiros quando confrontados com a Justiça
Os dois vídeos que circulam nas redes sociais ajudam a compreender de forma cristalina a diferença de postura entre os líderes políticos brasileiros quando confrontados com a Justiça.
Em 2018, com Lula preso após um processo que mais tarde seria anulado pelo Supremo Tribunal Federal, o então presidenciável Fernando Haddad foi questionado no Jornal da Globo se, caso eleito, concederia indulto a Lula. A resposta foi firme: não. Haddad ressaltou que seu companheiro de partido provaria sua inocência nos tribunais, seguindo a regra do jogo democrático. O próprio Lula, por sua vez, suportou 580 dias de prisão sem recorrer a atalhos políticos, convicto de que a verdade se imporia. Foi essa resistência que o levou a retomar seus direitos políticos e, em 2022, voltar à Presidência.
A cena atual contrasta frontalmente. Jair Bolsonaro, ainda antes de ser condenado pelo STF por sua participação na trama golpista, já articulava nos bastidores uma saída honrosa: a anistia. Seus filhos ecoaram a pressão no Congresso, e Tarcísio de Freitas, cotado como herdeiro político, correu a público para declarar que seu primeiro ato como presidente seria indultar Bolsonaro. O gesto não só revela submissão ao bolsonarismo raiz, como também a covardia de buscar blindagem preventiva para um líder que enfrenta acusações graves contra a democracia.
Enquanto Lula e Haddad escolheram a altivez de enfrentar o processo e reivindicar a Justiça pelas vias legais, Bolsonaro e Tarcísio demonstram medo e dependência. A diferença é clara: de um lado, a confiança na lei; de outro, a tentativa de torcer as instituições para salvar um projeto político condenado.
No fundo, os dois episódios revelam mais do que escolhas pessoais — expõem dois modos de encarar a política no Brasil. Lula e Haddad reafirmaram sua aposta nas regras democráticas. Bolsonaro e Tarcísio, sem votos suficientes para se sustentarem por si mesmos, preferem manipular o sistema e usar a máquina do Estado para proteger quem atenta contra ele.
Deixe sua opinião: