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Incluindo Nikolas, Vorcaro tinha 18 nomes do bolsonarismo no celular

Nenhum nome do PT ou de partidos governistas foi encontrado


Reprodução Incluindo Nikolas, Vorcaro tinha 18 nomes do bolsonarismo no celular
Incluindo Nikolas, Vorcaro tinha 18 nomes do bolsonarismo no celular

A prisão do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de seu sócio Fabiano Zettel, por ordem do ministro André Mendonça, elevou a tensão em Brasília. A investigação aponta planos de ataques contra desafetos e jornalistas. Dados extraídos do iPhone 17 do banqueiro revelaram 18 parlamentares da direita em sua agenda, todos ligados ao bolsonarismo.

O que aconteceu

Brasília viveu um dia de forte tensão nesta quarta-feira (4), após a Polícia Federal cumprir mandados de prisão contra o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu sócio e cunhado, Fabiano Zettel. A determinação partiu do ministro do STF, André Mendonça, com base em indícios de que o grupo estaria articulando ataques físicos e atos de violência extrema contra desafetos e jornalistas, incluindo Lauro Jardim, do jornal O Globo.

O ambiente político se acirrou ainda mais com a divulgação das primeiras informações extraídas do iPhone 17 de Vorcaro, apreendido em operação anterior. O aparelho, classificado pelos investigadores como o número “comercial” do banqueiro, continha uma agenda considerada um retrato detalhado da influência bolsonarista na Câmara dos Deputados.

A revista Fórum confirmou, junto a uma fonte ligada à CPMI do INSS, que o celular armazenava 18 nomes de parlamentares e ex-parlamentares — todos associados a partidos da direita e da extrema-direita, alinhados ao bolsonarismo. Não há registros de integrantes do PT, PCdoB, PSB ou de legendas da base governista.

A distribuição partidária dos nomes reforça esse perfil: o PL aparece com cinco representantes; o PP, com quatro; o PSD, com três; Republicanos e Novo, com dois cada; e União Brasil e PSDB, com um nome cada.

Entre os citados estão figuras de destaque da Câmara, como Hugo Motta, atual presidente da Casa, e Arthur Lira, ex-presidente. Também integram a lista nomes como Aguinaldo Ribeiro, Altineu Côrtes, Bilac Pinto, Diego Coronel, Doutor Luizinho, Fábio Mitidieri, Fausto Pinato, Flávia Arruda, João Carlos Bacelar, Lucas Gonzalez, Marcelo Álvaro Antônio, Márcio Marinho, Nikolas Ferreira, Paulo Abi-Ackel, Rodrigo Maia e Vinicius Poit.

O nome de Nikolas Ferreira chama atenção não apenas por sua projeção nas redes sociais com discurso moralista, mas também por um episódio recente: veio a público que o deputado utilizou o jatinho particular de Vorcaro durante a campanha de 2022. Enquanto participava de agendas em apoio à reeleição de Jair Bolsonaro, o parlamentar teria viajado em aeronave cedida pelo banqueiro, agora preso sob suspeita de planejar atentados contra jornalistas. A presença de seu contato na agenda do iPhone reforça a ligação direta entre ambos.

Desde que vieram à tona as suspeitas envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, parlamentares bolsonaristas passaram a sustentar que o escândalo atingiria também o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Contudo, as informações obtidas até o momento indicam que o círculo de interlocução de Vorcaro estava concentrado exclusivamente em nomes da direita e da extrema-direita.

A ausência de qualquer parlamentar de esquerda ou centro-esquerda na agenda apreendida enfraquece a narrativa de um escândalo transversal e delimita o caso ao campo político mais próximo do ex-presidente Bolsonaro. O conteúdo do celular, ao reunir figuras centrais da oposição e da cúpula da Câmara, evidencia que o banqueiro mantinha uma rede institucional de alto nível, porém restrita a um espectro ideológico específico.

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