Economia

Haddad expõe farra das bets e avisa: "Vamos taxar, sim"

Ministro criticou a oposição e disse que a “tributação BBB” corrige distorções e põe fim a benefícios que favoreciam setores privilegiados.


Samuel Corum/Bloomberg/Joédson Alves/Agência Brasil Haddad expõe farra das bets e avisa: "Vamos taxar, sim"
Haddad anuncia taxação das bets

Durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (14), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, rebateu duramente as críticas da oposição à chamada “tributação BBB”, que abrange bancos, apostas esportivas e rendimentos de aplicações financeiras. Segundo ele, a medida “só é injusta na cabeça de pessoas desinformadas sobre o que está acontecendo no Brasil”.

“Sem querer maldizer qualquer atividade econômica que tem amparo legal. Não é disso que se trata. São atividades reguladas. Mas precisamos garantir que essas atividades contribuam, em termos de tributação, dentro do padrão da economia brasileira”, afirmou o ministro.

Haddad destacou que o governo Lula enfrenta resistência de setores privilegiados, que durante o governo Bolsonaro ficaram isentos de cobrança sobre fortunas e apostas, enquanto o peso fiscal recaía sobre os trabalhadores.

“É curioso que setores muito conservadores tratem o corte de gastos tributários como aumento de tributo, e não como o fim de um privilégio”, criticou.

Segundo o ministro, há uma inversão deliberada no debate público:

“Cortar um gasto tributário é visto pela imprensa não como o fim de um privilégio temporário, mas como aumento de imposto. Não poderia haver equívoco maior do que isso.”

“Criança apostava em bet”

Ao comentar a reação do mercado e da oposição à MP 1303/2025, que prevê a taxação das bets e dos rendimentos de aplicações financeiras, Haddad foi enfático:

“Vez ou outra, leio: ‘vão tributar as bets’. Eu até tenho dificuldade de compreender essa frase. Toda atividade econômica é tributada. Todos pagam sua parte para o orçamento público. Quando alguém escapa, o restante da sociedade arca com o que foi desonerado.”

O ministro ressaltou ainda os efeitos sociais negativos das apostas esportivas, lembrando que, durante o governo anterior, crianças e beneficiários de programas sociais podiam apostar livremente — situação que começou a ser corrigida com o apoio do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Este mês entra em vigor a decisão do STF que proíbe beneficiários de programas sociais de apostarem em jogos eletrônicos. Um botão de autoexclusão será incluído nos aplicativos, permitindo que o usuário escolha se quer se afastar das apostas por um mês, seis meses ou um ano — sem possibilidade de reverter a decisão.

Criança não pode apostar. Vocês sabem que, por quatro anos, crianças apostavam em bet. Não havia proibição. Vetamos a participação de crianças e de beneficiários de programas sociais. Agora, com o botão de autoexclusão e o monitoramento das empresas, iniciamos um novo processo.”

Correção de distorções e combate à desigualdade

Haddad reforçou que o objetivo não é demonizar o setor, mas corrigir distorções e proteger a sociedade de grupos econômicos privilegiados.

“Setores que produzem externalidades negativas para a sociedade são sobretaxados no mundo inteiro. O Brasil é até tímido nesse sentido”, comparou, citando países escandinavos onde bebidas alcoólicas e cigarros têm tributação elevada.

“É a forma correta de combater tabagismo, alcoolismo e dependência psicológica. Não necessariamente proibindo, mas desestimulando. No caso das bets, se essa disputa continuar, temos tecnologia para enfrentar o setor com mais firmeza.”

Por fim, Haddad reiterou que a medida não representa aumento de impostos, mas uma ação para reduzir desigualdades:

“Estamos protegendo a sociedade de grupos de interesse privilegiados que querem perpetuar benefícios temporários. Esse projeto ataca a desigualdade e começa a corrigir distorções produzidas pelo próprio Estado.”

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