Política

Guerra de 40 bilhões na Faria Lima e disputa bilionária em torno do Banco Master, por Renato Rovai

Em comentário de fim de ano, o editor-chefe da Fórum contextualiza a crise do Banco Master e os interesses financeiros por trás das acusações que chegaram ao Judiciário


Reprodução Guerra de 40 bilhões na Faria Lima e disputa bilionária em torno do Banco Master, por Renato Rovai
“O que está por trás disso é uma guerra fratricida na Faria Lima.”

Fórum - A edição do Fala Rovai desta sexta-feira (26) traçou um retrato de forte tensão no sistema financeiro brasileiro, com desdobramentos diretos na política e no Judiciário. Segundo a análise apresentada por Renato Rovai, o epicentro do conflito está na Faria Lima, onde uma disputa envolvendo o Banco Master, grandes bancos privados e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) teria escalado para um embate bilionário.

“A Faria Lima está em convulsão, e as lavras dessa ebulição estão atingindo a política”, afirmou o jornalista ao abrir sua análise, contextualizando o momento como um dos mais sensíveis do mercado financeiro nos últimos anos.

De acordo com Rovai, a crise ganhou novo fôlego após a publicação de uma coluna da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo, que sugeriu a existência de pressões do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes sobre o Banco Central, em especial sobre seu presidente, Gabriel Galípolo, no contexto da intervenção no Banco Master. A colunista também havia noticiado anteriormente um suposto contrato milionário entre o banco e Viviane Barci, esposa do ministro.

“As duas informações somadas levam a um indício de, digamos, pressão por dinheiro: o ministro Alexandre de Moraes estaria pressionando Galípolo em relação ao Banco Master, enquanto sua esposa receberia dinheiro do Banco Master, de Daniel Vorcaro.”

Segundo o jornalista, a reportagem teria sido produzida a partir de seis fontes ligadas a grandes bancos, especialmente a setores descontentes com os efeitos da intervenção no Master. Na leitura apresentada no Fala Rovai, o banqueiro André Esteves, controlador do BTG Pactual, aparece como figura central desse grupo.

“O André Esteves seria, hoje, o capitão do time dos banqueiros em guerra contra o Vorcaro”, afirmou.

O pano de fundo do embate, segundo a análise, é o impacto financeiro da crise do Banco Master. Instituições que venderam títulos do banco a clientes agora podem ser obrigadas a arcar, via Fundo Garantidor de Créditos, com ressarcimentos de até R$ 250 mil por investidor. O custo estimado chega a R$ 40 bilhões.

“É a guerra dos R$ 40 bilhões”, resumiu Rovai.

No campo institucional, o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal. O ministro Dias Toffoli conduz um inquérito que apura se a intervenção do Banco Central no Master foi correta. Segundo Rovai, Toffoli determinou uma acareação entre Daniel Vorcaro, dono do banco, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), instituição que teria adquirido cerca de R$ 12 bilhões em papéis do Master.

“O BRB hoje é um morto-vivo, está próximo de quebrar”, afirmou Rovai. “Não estou especulando. São informações obtidas a partir de muitas conversas com gente que circula nesse circuito.”

A análise aponta ainda que a crise pode exigir intervenção do governo federal para evitar a quebra de mais uma instituição financeira. Rovai também menciona a possibilidade de novos desdobramentos políticos, inclusive envolvendo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, caso avancem investigações ou eventuais delações.

Outro ponto destacado é o impacto sobre fundos de previdência. Segundo Rovai, um fundo ligado ao estado do Amapá, associado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, teria comprado cerca de R$ 400 milhões em papéis do Banco Master.

“Pode quebrar o fundo de pensão”, alertou. “E isso explica muita coisa do silêncio político em torno do caso.”

No Congresso, o jornalista também questionou o pedido de CPI do Banco Master, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Para Rovai, há contradição entre o discurso anticorrupção e alianças políticas locais.

“Não tem santo nessa história”, afirmou. “Isso não é combate à corrupção. É disputa de poder.”

Ao concluir a análise, Rovai fez um alerta ao público diante da enxurrada de informações divulgadas no período.

“Não se emocionem tanto com as notícias”, disse. “O que está por trás disso é uma guerra fratricida na Faria Lima.”

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