Fraudes no INSS revelam conexões com Ciro Nogueira e o núcleo político do bolsonarismo
O empresário Maurício Camisotti é descrito como “figura central” no esquema e já havia sido citado em reportagens anteriores por suspeitas de pagamento de propina a parlamentares do Partido Progressistas (PP)
A operação da Polícia Federal deflagrada nesta sexta-feira (12) levou à prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e do empresário Maurício Camisotti, apontados como operadores de um esquema milionário de fraudes contra aposentados e pensionistas. As investigações identificaram que entidades controladas por laranjas movimentaram ao menos R$ 43 milhões, beneficiando empresas ligadas ao grupo Total Health, de Camisotti.
Mas o ponto mais sensível do caso está na relação de Camisotti com figuras centrais da política brasileira. Segundo a PF, o empresário é descrito como “figura central” no esquema e já havia sido citado em reportagens anteriores por suspeitas de pagamento de propina a parlamentares do Partido Progressistas (PP). Entre eles, Ricardo Barros (PP-PR), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Paulo Maluf (PP-SP) e, sobretudo, o senador piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do PP.
Mesmo sob investigação, Nogueira foi alçado em 2021 ao cargo de ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, posição em que era tratado como “presidente de fato” enquanto o ex-capitão se dedicava a agendas políticas e motociatas. Junto a Arthur Lira (PL-AL), ele comandou a engrenagem do chamado “Orçamento Secreto”, que irrigou a base aliada no Congresso. As suspeitas levantadas pela PF reforçam a tese de que Camisotti operava esquemas no Ministério da Saúde desde o governo Temer, período em que Ricardo Barros comandava a pasta, tendo Ciro Nogueira como um dos principais articuladores da rede de poder que uniu Temer e Bolsonaro.
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