Política

Florianópolis, capital da exclusão: 500 Pobres “devolvidos”, um Bolsonaro “recebido”

Prefeito expulsa vulneráveis da rodoviária, mas abre tapete vermelho para Carlos Bolsonaro


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O prefeito Topázio Neto (PSD) e o vereador Carlos Bolsonaro

A Prefeitura de Florianópolis divulgou um vídeo em que o prefeito Topázio Neto (PSD) afirma estar “controlando” a entrada de pessoas consideradas “sem casa e sem emprego” que chegam à rodoviária da capital catarinense. A medida, apresentada como política de assistência, na prática funciona como um filtro social: quem é pobre demais, vulnerável demais ou simplesmente procura recomeçar na cidade é barrado.

Segundo a própria administração municipal, agentes da Secretaria de Assistência Social atuam diariamente na rodoviária para identificar recém-chegados e, quando julgado conveniente, “devolver” essas pessoas para suas cidades de origem. O próprio prefeito se orgulha do número: mais de 500 seres humanos enviados de volta, como se fossem pacotes indesejados, e não cidadãos com direitos garantidos pela Constituição. A prática resvala em segregação social e reforça um modelo de cidade que se pretende “limpa”, “ordenada” e dedicada apenas àqueles que podem pagar para pertencer.

Ao mesmo tempo, o noticiário nacional informa que Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, prepara mudança para Santa Catarina com o objetivo de disputar o Senado em 2026. O anúncio já provoca disputas internas entre a direita local. Mas, ao contrário do rigor aplicado contra trabalhadores pobres na rodoviária, nada indica que o prefeito de Florianópolis pretenda questionar ou “controlar” a chegada do novo postulante ao título de “morador” da cidade. Ao contrário: o clima é de porta aberta e tapete estendido.

A discrepância é evidente: para o pobre, o Estado ergue barreiras; para figuras politicamente influentes da extrema-direita, o mesmo Estado abre janelas e corredores. Florianópolis parece dizer, sem constrangimento, quem tem direito de morar ali — e quem deve ser mandado embora.

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