Política

Flávio Bolsonaro tenta salvar pré-candidatura com aceno direto ao mercado financeiro

O filho do presidiário inicia ofensiva junto a Faria Lima para tentar conter os danos políticos provocados pela divulgação dos áudios em que aparece negociando recursos com o empresário Daniel Vorcaro


IA Flávio Bolsonaro tenta salvar pré-candidatura com aceno direto ao mercado financeiro
Flávio Bolsonaro se entrega ao "mercado"

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou uma ofensiva junto ao mercado financeiro para tentar conter os danos políticos provocados pela divulgação dos áudios em que aparece negociando recursos com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso envolve o repasse de R$ 61 milhões destinados ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, e passou a gerar forte desgaste na pré-candidatura presidencial do parlamentar para 2026.

Segundo interlocutores ligados à campanha, Flávio Bolsonaro desembarca em São Paulo entre terça-feira (19) e quarta-feira (20) para uma série de reuniões reservadas com banqueiros, fundos de investimento e operadores da Faria Lima. Embora os encontros já estivessem previstos antes da publicação da reportagem do Intercept Brasil, a agenda ganhou novo significado após a repercussão do caso Vorcaro.

Nos bastidores, aliados avaliam que o senador tenta reconstruir pontes com setores do empresariado e preservar sua viabilidade eleitoral diante da crescente desconfiança do mercado financeiro. O episódio envolvendo o Banco Master passou a dominar conversas entre investidores brasileiros durante a Brazil Week, em Nova York, ampliando dúvidas sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro sustentar o projeto presidencial do bolsonarismo em 2026.

A crise ganhou ainda mais força após a reação negativa do mercado no dia da divulgação dos áudios. Na quarta-feira (13), o Ibovespa registrou queda superior a 1,8%, enquanto o dólar voltou a subir e se aproximou da marca de R$ 5,00. O movimento foi interpretado por analistas como sinal de instabilidade política e aumento da percepção de risco em torno da disputa presidencial.

Segundo informações de bastidores, Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro e recebido R$ 61 milhões por meio de um fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A operação passou a ser investigada politicamente após o vazamento das conversas envolvendo o financiamento do filme Dark Horse.

A estratégia da pré-campanha agora é demonstrar normalidade e manter a imagem de competitividade eleitoral. Flávio pretende ampliar viagens pelo país, intensificar entrevistas e reforçar encontros públicos e privados com empresários. Diante da Faria Lima, o senador pretende reafirmar compromisso com uma agenda liberal baseada em redução de impostos, desburocratização da economia e fortalecimento do setor privado.

Nos bastidores do mercado financeiro, porém, cresce a percepção de que o caso Daniel Vorcaro atingiu diretamente a confiança de investidores na candidatura de Flávio Bolsonaro. Empresários e operadores financeiros passaram a discutir com mais frequência alternativas dentro da direita, aumentando as citações ao nome do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como possível candidato competitivo para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.

Mesmo diante da turbulência, aliados defendem que o senador não demonstre recuo. A avaliação interna é que a sobrevivência política da pré-candidatura depende da capacidade de recuperar rapidamente o apoio explícito da elite financeira e neutralizar o impacto das revelações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.


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