Fila do INSS cai pela metade, mas negativas disparam
Redução do estoque é impulsionada por mais análises e aumento dos indeferimentos
A fila do INSS caiu de 3,1 milhões de processos, em fevereiro, para 1,5 milhão em julho de 2026. A redução foi impulsionada pelo aumento das análises e pela alta de cerca de 70% nos indeferimentos, embora também tenha ocorrido crescimento nas concessões de benefícios.
O que aconteceu
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a média mensal de pedidos negados chegou a 668,6 mil entre janeiro e maio de 2026, ante 395 mil no mesmo período de 2025. No entanto, as concessões mensais também avançaram 12,3%, passando de 608,6 mil para 683,8 mil.
A meta do governo Lula é reduzir a fila para 1,3 milhão de processos até setembro. Para a Previdência, “zerar a fila” significa eliminar os pedidos aguardando análise há mais de 45 dias. Esse estoque caiu 74%, para 486 mil requerimentos. O ministério afirma que 48,3% dos pedidos estão dentro do prazo legal e que o INSS recebe cerca de 1,2 milhão de novas solicitações por mês.
Especialistas, porém, alertam que a redução pode estar relacionada ao aumento das negativas. Relatos de segurados apontam dificuldades com exigências documentais, divergências cadastrais e validação biométrica, sobretudo em pedidos de pensão, aposentadoria e BPC. Servidores ouvidos reservadamente indicam maior incidência de indeferimentos nas regiões Norte e Nordeste.
A aceleração das análises foi favorecida por bônus de produtividade, mutirões e pagamentos de diárias. Mais de 1 milhão de processos foram concluídos com apoio desses incentivos entre janeiro e maio. O uso do Atestemed também ampliou as concessões por incapacidade, mas especialistas defendem acompanhamento para evitar fraudes.
Dos 486 mil pedidos com atraso superior a 45 dias, 47% são do BPC, 33% envolvem benefícios por incapacidade e 13% correspondem a aposentadorias.
Deixe sua opinião: