EUA podem classificar PCC e CV como grupos terroristas
Medida técnica já concluída aguarda decisão política e pode abrir caminho para sanções e até ações militares contra facções brasileiras.
Equipes técnicas do governo dos Estados Unidos concluíram o processo para classificar as facções brasileiras PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A decisão final depende apenas de aval político e pode permitir sanções mais duras e até ações militares contra os grupos.
O que aconteceu
Técnicos do governo dos Estados Unidos finalizaram os estudos para incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras. Com o trabalho técnico encerrado, falta apenas uma decisão política para oficializar a medida, algo que, segundo diplomatas, pode ocorrer nos próximos dias.
Caso seja confirmada, a classificação permitirá a adoção de sanções mais amplas contra as facções e poderá transformar suas bases e operações em alvos legítimos de ações militares, inclusive fora do território norte-americano.
O governo brasileiro já havia sido alertado sobre essa possibilidade e buscava reabrir diálogo com Washington para evitar ou reduzir os efeitos da decisão. A medida também pode afetar a aproximação diplomática entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que discutiriam o combate ao crime organizado em um possível encontro entre março e abril.
A classificação das facções brasileiras como terroristas é defendida por aliados do bolsonarismo. O senador Flávio Bolsonaro chegou a sugerir a possibilidade de uma ação americana em território brasileiro e, em 2025, recebeu uma delegação dos EUA para tratar do tema. Um dossiê preparado pelo governo do Rio de Janeiro também teria sido enviado à Casa Branca com informações sobre os grupos.
Relatórios do Departamento de Estado apontam o PCC como uma das principais ameaças à segurança do Brasil, destacando sua atuação em 22 estados e em pelo menos 16 países.
Autoridades brasileiras temem que a designação abra caminho para operações militares dos EUA. Trump já indicou que pretende tratar o narcotráfico de forma semelhante ao combate ao Estado Islâmico, incluindo possíveis bombardeios em território estrangeiro.
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