Escracho parlamentar: Hugo Motta protege Eduardo Bolsonaro manobrando para que ele não seja cassado
Hugo Motta não apenas legitima a permanência de um parlamentar que abandonou suas responsabilidades, como também subordina a Câmara Federal ao jogo de conveniências de um grupo que despreza as instituições brasileiras
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), manobrou para blindar o mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se encontra foragido nos Estados Unidos e alvo de um inquérito por conspirar contra o Brasil. A jogada, revelada pelo jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, permite que o deputado, ausente de suas funções legislativas, não seja cassado pelo acúmulo de faltas injustificadas.
Segundo apuração, Motta costurou um acordo com o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e a líder da minoria, Caroline de Toni (PL-SC). Pelo trato, Eduardo assumiria a liderança da minoria na Câmara, substituindo Caroline, que abre mão do posto. Como líder, ele passa a ter a prerrogativa de justificar suas próprias ausências — um artifício para escapar da perda de mandato, apesar de residir fora do país e agir como articulador da bancada bolsonarista junto a Donald Trump, em Washington.
Na prática, Hugo Motta não apenas legitima a permanência de um parlamentar que abandonou suas responsabilidades, como também subordina a Câmara Federal ao jogo de conveniências de um grupo que despreza as instituições brasileiras. Enquanto a sociedade espera respostas firmes contra os que atentaram contra a democracia em 8 de janeiro, o presidente da Câmara age para garantir privilégios a quem foge da Justiça e conspira contra o próprio país.
A manobra de Motta, mais do que um arranjo político, representa um insulto ao Parlamento e à democracia. Transformar a liderança da minoria em um salvo-conduto para Eduardo Bolsonaro reforça a percepção de que a Câmara se curva diante do bolsonarismo, mesmo quando este opera de fora do território nacional.
No fundo, o recado é claro: para aliados, impunidade; para a sociedade, descrédito. E nesse jogo, quem sai perdendo é a democracia brasileira.
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