Política

Entre jatinhos e sacolas de dinheiro: Rueda é acusado e Ciro Nogueira aparece nas conversas

Denúncias feitas pelo piloto Mattosinho à PF revelam que Rueda, estaria ligado à aquisição de jatinhos usados em lavagem de dinheiro operado pelo PCC, o senador Ciro Nogueira é citado nas denúncias


Reprodução Entre jatinhos e sacolas de dinheiro: Rueda é acusado e Ciro Nogueira aparece nas conversas
Amizade sincera: Antônio Rueda e Ciro Nogueira

Um conjunto de denúncias feitas pelo piloto Mauro Caputti Mattosinho à Polícia Federal e em entrevista ao ICL Notícias revelou que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, estaria ligado à aquisição de jatinhos executivos usados em um esquema de lavagem de dinheiro operado por figuras próximas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações foram apuradas pelos jornalistas Leandro Demori, Cesar Calejon, Flávio VM Costa e Alice Maciel (ICL Notícias) e por Thiago Herdy (UOL).

As revelações do piloto

Mattosinho, que trabalhou entre 2023 e agosto deste ano na Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), relatou ter transportado mais de 30 vezes os foragidos Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, apontados como líderes do esquema que lavava recursos do crime organizado em fundos de investimento na Faria Lima. Em depoimento, o piloto afirmou que Rueda era mencionado como “chefe de um grupo com muito dinheiro para gastar”, associado à compra de quatro aeronaves avaliadas em milhões de dólares.

O piloto disse ainda ter presenciado o transporte de uma sacola que aparentava conter dinheiro vivo, em um voo no qual Beto Louco teria mencionado encontro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Vídeos e mensagens de WhatsApp obtidos pela reportagem reforçam as suspeitas.

Negativas e notas oficiais

Antonio Rueda negou qualquer participação nas compras e afirmou “repudiar com veemência qualquer tentativa de vincular seu nome a pessoas investigadas ou envolvidas com ilícitos”. Segundo ele, seus deslocamentos costumam ocorrer em voos comerciais, embora admita ter fretado aeronaves ou voado como convidado.

A TAP, por sua vez, declarou “atuar em observância à lei” e disse não ter conhecimento do envolvimento de clientes nas operações do PCC. A empresa é formalmente registrada em nome da mãe do empresário Epaminondas Chenu Madeira, mas ele é quem conduz os negócios.

O senador Ciro Nogueira também negou qualquer proximidade com os acusados, declarou ter colocado seus sigilos à disposição da Justiça e processou o ICL Notícias por danos morais.

Empresas, fundos e registros oficiais

De acordo com os registros citados pelas reportagens, parte das aeronaves está registrada em nome de fundos de investimento e empresas de fachada — como a Bariloche Participações S.A., ligada ao Viena Fundo de Investimento Multimercado, e a Serveg Serviços, registrada em Imperatriz (MA). Outra aeronave citada, um Raytheon 390 Premier, pertence à Fênix Participações, empresa de sócios ligados ao meio jurídico e político, mas estes negam qualquer vínculo com Rueda.

Além disso, o piloto relatou que o presidente do União Brasil teria manifestado interesse em adquirir um Gulfstream 550, avaliado em mais de R$ 50 milhões, embora a operação não tenha sido confirmada.

Mykonos, voos e monitoramento

Em agosto, Rueda comemorou seus 50 anos na ilha grega de Mykonos, em festa que reuniu políticos e empresários. Dados de monitoramento de voos do site Adsb Exchange indicam que um Gulfstream viajou de Brasília à Grécia no período do evento, mas Rueda afirmou ter feito o trajeto em voo comercial da British Airways.

Investigações em curso

As denúncias expõem conexões entre lavagem de dinheiro, fundos de investimento e a utilização de empresas de táxi aéreo como canais para movimentação de recursos ilícitos. O caso também atinge personagens do governo Bolsonaro, como o advogado Rogério Garcia Peres, ligado à gestão de fundos e já investigado pelo Ministério Público de São Paulo.

Mattosinho disse ter decidido falar por “indignação com o que presenciou” e prestou depoimento à PF no fim de agosto. O caso agora integra o amplo inquérito sobre a Operação Carbono Oculto, que investiga o braço financeiro do PCC.

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