Política

Entre elos, livros e memórias: Lidiane César e a herança de Antônio José Medeiros

Depois de receber dedicatória do fundador do PT, Lidiane escreve dedicatória a Antônio José Medeiros


Reprodução Entre elos, livros e memórias: Lidiane César e a herança de Antônio José Medeiros
Antônio José Medereiro e Lidiane Cesar

O Pensar Piauí publica hoje um texto de forte carga emocional e política, assinado por Lidiane César, coordenadora do Setorial de Direitos Humanos do PT no Piauí. Em um relato pessoal e sensível, Lidiane rememora sua formação política e afetiva a partir de uma cena da infância que a marcou profundamente — o dia em que recebeu sua primeira estrela do PT das mãos do professor Antônio José Medeiros, figura histórica da militância e do pensamento crítico no estado.

O texto, intitulado é mais que uma lembrança: é uma declaração de trajetória, afeto e resistência. Entre memórias de infância, vida universitária e reencontros com o mestre que inspirou gerações, Lidiane constrói um testemunho sobre pertencimento, amadurecimento e compromisso com as causas populares. Uma leitura emocionante sobre o tempo, os elos e as lutas que moldam quem somos.

Veja o texto de Lidiane César:

Não me lembro da idade exata, era uma criança correndo de farda do Diocesano,  mas lembro da cena com nitidez. Estávamos no clube da Chesf, em uma reunião dos  Urbanitários. Os adultos discutiam o país, falavam de justiça, greve, de direitos, de  esperança. Neste dia, meu pai me deu um livro, que era vendido como forma de  arrecadar fundos para a campanha, e o professor Antônio José Medeiros me entregou  minha primeira estrela do PT e, dentro do livro, fez uma dedicatória.  Mais tarde, escolhi Direito na UESPI e Ciências Sociais na UFPI. A política, o  pensamento crítico, a inquietação, tudo isso já morava em mim desde aquela estrela  vermelha. E foi na universidade que tive a oportunidade de ver o grande mestre no seu  auge: brilhante, articulado, intenso, participativo. Eu ficava maravilhada. Tempos depois,  morávamos no mesmo prédio, meu vizinho! Mas eu tinha acanhamento até para dizer  “bom dia”. Ele parecia inalcançável, como um mestre que habita outro plano.  O tempo, porém, é senhor dos planos e das razões. Já adulta e mais atuante na  vida partidária. A idade perdeu a importância, e as oportunidades de acompanhar suas  falas e trabalho se tornaram mais frequentes. E ele, agora mais sereno, voltado para a  produção intelectual, continuava sendo mestre, mais próximo, mais humano.  Ontem fui ao lançamento do seu novo livro “Em busca dos Elos Perdidos”, sobre a  trajetória de pessoas, gerações, elos e futuros construídos dos saberes. Recebi uma  dedicatória. Não era mais a menina, nem a estudante em deslumbre. Era eu já alguém  com história e com voz.  A dedicatória dizia: “amiga e companheira”.  A estrela, perdi num evento da Dilma, enquanto levava Heloísa no colo, quando  ela perguntou (forjada de mais coragem do que eu): “Dilma, a senhora é coração  valente?”. O primeiro livro, emprestei e nunca me devolveram. Mas essa dedicatória, essa  eu não empresto. Essa é minha estrela.  Venci na vida.


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