"Empresários da fé": Aava Santiago dispara contra Malafaia, RR Soares e Edir Macedo
Ela disse mais: "Eles não apascentam ovelhas, negociam ovelhas"
A vereadora de Goiânia, Aava Santiago (PSB), socióloga e uma das vozes mais conhecidas do campo progressista entre os evangélicos, fez duras críticas ao que chamou de "projeto empresarial da fé" durante o IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado nesta segunda-feira.
Em um dos discursos mais repercutidos do evento, Aava afirmou que setores da extrema direita e do bolsonarismo construíram ao longo dos anos uma narrativa segundo a qual o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seriam inimigos das igrejas evangélicas e da liberdade religiosa.
Ao relatar uma conversa que teve com Lula, a vereadora destacou que grandes lideranças religiosas acumularam patrimônio justamente durante os governos petistas.
"Silas Malafaia ficou milionário no governo do senhor, RR Soares comprou avião no governo do senhor, Edir Macedo entrou para a lista da Forbes no governo do senhor. Não chamo eles de pastores, eles são empresários da fé. Eles não apascentam ovelhas, eles negociam ovelhas. Eles usam a estrutura adquirida no governo Lula para chantagear o presidente Lula. O que enfrentamos é um projeto empresarial com a fé", declarou.
A fala sintetizou um dos principais debates do encontro: a disputa pela narrativa em torno da relação entre política, religião e o eleitorado evangélico brasileiro.
PT divulga carta ao eleitorado evangélico
Na mesma ocasião, o Partido dos Trabalhadores divulgou uma carta direcionada aos evangélicos, em mais um movimento de aproximação com um segmento considerado estratégico para as eleições de 2026.
O documento foi elaborado após o IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do PT e contou com a participação do presidente nacional da legenda, Edinho Silva, da primeira-dama Rosângela da Silva e da ex-ministra Marina Silva.
Na carta, o partido destaca ações dos governos petistas voltadas à garantia da liberdade religiosa. O texto afirma que Lula sancionou leis que asseguram o livre exercício dos cultos e a criação de igrejas. Também cita medidas como o reconhecimento da música gospel como patrimônio cultural, a criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
"O governo do PT nunca se opôs às igrejas", afirma o documento, que ressalta o respeito e o reconhecimento da importância da Igreja Evangélica para a sociedade brasileira.
Programas sociais e defesa da democracia
A carta também reforça bandeiras históricas da legenda, defendendo a ampliação de programas sociais como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Segundo o texto, temas como combate à fome, justiça social, valorização do trabalho, reforma agrária e proteção dos mais vulneráveis estão alinhados aos ensinamentos cristãos.
O documento ainda manifesta apoio ao fim da escala de trabalho 6x1 e defende a ampliação de direitos sociais para trabalhadores brasileiros.
Outro eixo central do texto é a defesa da democracia e da participação dos evangélicos na formulação de políticas públicas. O núcleo evangélico do PT afirma que seu compromisso com um Brasil mais justo e inclusivo não passa pelo uso eleitoral da fé.
"Não se deve tirar proveito político de uma coisa sagrada", registra a carta.
Segurança pública e proteção às mulheres
A pauta da segurança pública também recebeu destaque. O documento defende políticas de enfrentamento ao crime organizado e de proteção às famílias brasileiras.
A carta dedica atenção especial ao combate à violência contra a mulher, propondo a ampliação de políticas públicas voltadas à saúde integral feminina, ao acolhimento das vítimas de violência e à proteção da saúde física e mental das mulheres.
Soberania nacional entra no debate político
O texto ainda incorpora a defesa da soberania nacional, tema que vem sendo utilizado pelo governo Lula em contraposição a setores da direita alinhados ao senador Flávio Bolsonaro e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo a carta, a soberania nacional fortalece a capacidade do povo brasileiro de decidir seu próprio destino, proteger recursos estratégicos e construir um projeto de desenvolvimento baseado na justiça social e no bem comum.
Com a divulgação do documento e a realização do encontro, o PT busca ampliar sua presença junto ao eleitorado evangélico, um dos segmentos mais disputados da política brasileira e que tem desempenhado papel decisivo nas últimas eleições presidenciais.
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