Política

Emenda bilionária de Motta no mercado de carbono vira alvo do STF

Obrigação imposta a seguradoras levanta suspeitas políticas e econômicas


Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo Emenda bilionária de Motta no mercado de carbono vira alvo do STF
Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados

Uma emenda do deputado Hugo Motta criou um mercado compulsório de créditos de carbono ao obrigar seguradoras e fundos de previdência a investir parte de suas reservas no setor, podendo movimentar até R$ 9 bilhões ao ano. A medida é questionada no STF, sob suspeita de favorecer interesses privados.

O que aconteceu

Uma articulação no Congresso, iniciada em 2024 a partir de uma emenda apresentada pelo deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), alterou a lei que regulamenta o mercado de carbono no Brasil. O texto tornou obrigatória a aplicação de 0,5% das reservas técnicas de seguradoras e empresas de previdência privada em créditos de carbono, criando um mercado compulsório estimado entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões por ano.

A proposta foi incluída na fase final da tramitação do projeto, sem justificativa formal, e aprovada após negociações lideradas por dirigentes da Câmara. Inicialmente fixado em 1%, o percentual acabou reduzido a 0,5%, valor que entrou em vigor e hoje é analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O setor de seguros reagiu, alegando que a demanda criada artificialmente supera em muito o tamanho real do mercado voluntário de carbono no país. Em março de 2025, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) acionou o STF, sustentando que a norma viola princípios constitucionais como a livre iniciativa e a concorrência.

O relator do caso, ministro Flávio Dino, votou pela inconstitucionalidade da emenda. Para ele, a medida teve motivação econômica, não ambiental, e desrespeita o princípio do poluidor-pagador ao impor o ônus a um setor que não está entre os maiores emissores de gases de efeito estufa. O julgamento virtual termina em 6 de fevereiro.

Paralelamente, autoridades apuram possíveis vínculos entre a emenda e interesses do empresário Henrique Vorcaro, investidor em empresas de créditos de carbono que tiveram valorização abrupta e hoje estão sob investigação. Essas relações políticas e empresariais passaram a ser examinadas com mais rigor por órgãos de controle e pela Justiça.

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