Ele teria pedido R$ 15 milhões a Flávio para vender candidatura, segundo a Folha
Pré-candidato ao governo do MS aparece em anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro sobre estratégias eleitorais nos estados
Anotações supostamente feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal jogaram holofotes para o nome do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS). No material, revelado nesta quarta-feira (25) pelo jornal Folha de S.Paulo, aparece o registro: “Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)”.
O próprio Flávio admitiu ser o autor das anotações, feitas em um papel que reunia avaliações sobre a situação eleitoral nos estados. A observação sobre Pollon aparece no trecho dedicado ao Mato Grosso do Sul, onde o deputado se movimenta como possível candidato ao governo ou ao Senado.
Em entrevista recente, Pollon afirmou que, apesar de se colocar como candidato ao governo do MS, pode concorrer ao Senado “se Bolsonaro pedir”.
“Existe um apelo forte para que eu venha ao Senado. Se o presidente Bolsonaro me imputar essa missão, não tem como dizer não. Se ele entender que eu posso ombrear com aqueles que vão resgatar a liberdade do nosso país, eu estou pronto, e a decisão fica nas mãos dele”, declarou.
Procurado pelo jornal Folha de S. Paulo, o deputado negou que tenha colocado sua candidatura à venda e afirmou que a anotação “não faz o menor sentido”. Segundo ele, trata-se de uma tentativa de desgaste político. “Isso é uma campanha de assassinato de reputação”, disse.
Quem é Marcos Pollon
Eleito deputado federal em 2022, Marcos Pollon baseou sua campanha na pauta armamentista. Advogado de formação, ganhou visibilidade nas redes sociais defendendo o armamento civil e pautas associadas à direita mais ideológica.
No Congresso, manteve o mesmo tom extremista. Uma de suas propostas mais bizarras foi o projeto “Minha Primeira Arma”, que sugere criar incentivos para facilitar a compra do primeiro armamento por cidadãos.
Pollon também protagonizou episódios de golpismo dentro da Câmara. Em 2025, passou a ser investigado pelo Conselho de Ética após participar de um motim promovido por deputados bolsonaristas que ocuparam a Mesa Diretora e bloquearam o funcionamento do plenário como forma de chantagem e pressão para que o projeto de anistia a golpistas fosse à votação. A representação apontou possível quebra de decoro parlamentar.
O processo ainda tramita na Casa. Entre as punições possíveis estão advertência, suspensão do mandato e, em casos mais graves, a perda do cargo — embora esta última seja considerada improvável em situações semelhantes.
Outro episódio controverso envolvendo Pollon foi a destinação de recursos de emenda parlamentar. Pollon enviou cerca de R$ 1 milhão, por meio de emenda do tipo conhecida como “emenda Pix”, para a cidade de São Paulo, fora de sua base eleitoral em Mato Grosso do Sul. A transferência chamou atenção em meio ao debate nacional sobre transparência e critérios na distribuição dessas verbas. A prática é vedada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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