Eduardo quer ver Alexandre de Moraes preso e ameaça Gilmar Mendes e Zanin
Eduardo Bolsonaro intensifica ameaças ao Judiciário brasileiro enquanto permanece nos EUA
O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) desembarcou na noite deste sábado (26) em Miami, Estados Unidos, acompanhado do filho caçula. Em rápida conversa com a imprensa, afirmou que não pretende retornar ao Brasil. “Para não ser preso”, disse, sem detalhar como pretende manter o mandato parlamentar à distância.
A licença que Eduardo tirou da Câmara dos Deputados, utilizada para viver nos Estados Unidos e articular sanções econômicas contra o Brasil e contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), expirou na semana passada. Ainda assim, ele permanece em território americano, utilizando-se de prerrogativas do cargo, o que tem gerado reações críticas no meio jurídico e político.
No aeroporto de Miami, o deputado alegou que estava na cidade para participar de um evento com brasileiros, organizado por ele. No entanto, recusou-se a dar detalhes sobre o encontro. Aliados informam que Eduardo e sua família estão atualmente estabelecidos no estado do Texas.
Questionado sobre suas articulações com representantes do governo de Donald Trump, Eduardo foi direto: “Meu sonho é botar o ministro Alexandre de Moraes na cadeia, como ele tem feito com tanta gente”. A frase dá o tom do novo patamar de confronto adotado pelo deputado, que tem escalado sua retórica contra o sistema de Justiça brasileiro.
Em vídeo divulgado na rede social X (antigo Twitter), Eduardo Bolsonaro intensificou as ameaças e passou a citar nominalmente ministros do STF. Mirou diretamente Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, além de questionar a disposição de suas respectivas esposas diante de eventuais decisões contra Jair Bolsonaro. “Gilmar Mendes está disposto a tudo? A sua esposa está disposta a tudo? Será que o Zanin está disposto a tudo?”, disse, em tom que foi interpretado como tentativa de intimidação e coação.
As declarações do deputado têm sido acompanhadas por mobilizações em redes sociais, nas quais seus apoiadores promovem ataques à ordem institucional e às garantias previstas na Constituição. A postura tem sido reprovada por juristas e integrantes do Congresso, que apontam possível violação aos princípios democráticos.
A Procuradoria-Geral da República pode ser acionada para apurar os indícios de tentativa de obstrução da Justiça. Mesmo morando fora do país, Eduardo Bolsonaro segue utilizando recursos públicos e se comportando como um agente externo contra a estabilidade democrática do Brasil.
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