Eduardo contra todos: ataques a Nikolas, desagrado ao agro e sabotagem a senadores
Eduardo desautorizou até aliados como os ex-ministros Tereza Cristina (Agricultura) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), que integram a comitiva de senadores da Comissão de Relações Exteriores que viajam aos EUA
A tensão entre Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) tem se tornado cada vez mais explícita, revelando um racha dentro do bolsonarismo. A relação, que já era marcada por ciúmes políticos e disputas de protagonismo, azedou de vez após a ausência de um posicionamento mais enfático de Nikolas em defesa de Jair Bolsonaro, especialmente durante o episódio da tornozeleira eletrônica e frente ao chamado tarifaço de Donald Trump contra o Brasil.
Eduardo se ressentiu da falta de solidariedade do jovem deputado mineiro e passou a atacá-lo de forma indireta. O jornalista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo e considerado sua "voz terceirizada", ironizou a apatia de Nikolas: “Alguém avisa o Nikolas sobre as ações? Acho que ele não está sabendo”, escreveu Figueiredo nas redes sociais, em tom de escárnio. Eduardo endossou a crítica ao compartilhar o conteúdo.
O atrito é também movido por rivalidade eleitoral. Eduardo ficou atrás de Carla Zambelli (PL) e do adversário Guilherme Boulos (PSOL) em São Paulo, enquanto Nikolas foi o campeão nacional de votos. Para aliados, a origem da rixa está na suposta "falta de gratidão" de Nikolas — embora ele mantenha boas relações com Jair e Michelle Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia.
Esse desentendimento ocorre em paralelo a uma atuação cada vez mais isolada e controversa de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Afastado do Brasil desde o início do ano, o deputado vem tentando se colocar como uma espécie de chanceler paralelo, autodeclarando-se o único autorizado a tratar da sobretaxa de 50% imposta por Donald Trump às exportações brasileiras, que entra em vigor em 1º de agosto.
Na tentativa de manter esse protagonismo, Eduardo desautorizou até aliados de primeira hora de seu pai, como os ex-ministros Tereza Cristina (Agricultura) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), que integram a comitiva de oito senadores da Comissão de Relações Exteriores que viajam aos EUA para negociar com congressistas e representantes do setor produtivo. Para Eduardo, a missão é um “gesto de desrespeito” ao ex-presidente americano.
A estratégia de deslegitimar os interlocutores da missão teve ajuda, mais uma vez, de Paulo Figueiredo, que chamou Tereza e Pontes de “traidores” em vídeo divulgado nas redes. Eduardo, por sua vez, repostou o conteúdo e publicou uma nota pública desautorizando os senadores — sem usar os termos mais duros, mas validando os ataques.
Hoje, Eduardo é visto por muitos como um candidato à cadeia, não ao Planalto. Há parlamentares que afirmam que, se voltar ao Brasil, pode ser preso imediatamente. A bancada ruralista, prejudicada diretamente pelas medidas tarifárias, também está revoltada. Deputados do agro dizem que Eduardo "só está atrapalhando" e colocando em risco negócios, empregos e a imagem internacional do país.
Dentro do próprio PL, críticas crescem. Parlamentares acusam o deputado de comprometer o partido ao colocá-lo como cúmplice de ações contra o interesse nacional em nome de proteger Jair Bolsonaro.
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