Eduardo ataca Lula em 2018 e agora defende Bolsonaro
Em 2018, deputado ironizou manifestações da esquerda; agora, aliados criticam decisão do STF que impôs prisão domiciliar a Jair Bolsonaro.
Em discurso proferido na tribuna da Câmara dos Deputados em 2018, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente licenciado e nos Estados Unidos, defendeu a prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ironizou as manifestações da esquerda que pediam sua libertação. À época, Lula havia sido condenado na operação Lava Jato a 12 anos e 11 meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
“Atenção, prezados políticos e parlamentares de esquerda, hoje em dia existe uma coisa chamada internet. Não adianta vocês virem aqui gritar, porque decisão judicial não muda à base de esperneio. Não vai mudar por causa disso. Lula está preso”, afirmou Eduardo Bolsonaro na ocasião. O deputado chamou Lula de "corrupto" e disse que ele seria, no máximo, um "ex-presidiário" ao deixar a cadeia.
Lula passou 580 dias preso na sede da Polícia Federal em Curitiba (PR) e foi libertado em novembro de 2019, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que reviu o entendimento sobre prisão após condenação em segunda instância. Atualmente, Lula ocupa novamente a Presidência da República.
O cenário político atual, no entanto, revela uma inversão de papéis. Eduardo Bolsonaro e outros aliados da extrema-direita têm usado as redes sociais para criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no âmbito de investigação sobre tentativa de golpe de Estado.
A medida cautelar, imposta em 18 de julho, foi motivada por indícios de que Bolsonaro teria utilizado as redes sociais de aliados para disseminar conteúdos que, segundo Moraes, incentivavam ataques ao STF e apoiavam intervenção estrangeira no Judiciário brasileiro.
Como resposta à decisão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), irmão de Eduardo, propôs nesta terça-feira (5) um “pacote da paz” — documento que sugere a anistia a investigados e condenados por atos antidemocráticos e o pedido de impeachment de Moraes.
O contraste entre as declarações de Eduardo Bolsonaro em 2018 e a postura atual de sua base política tem alimentado debates nas redes sociais e no Congresso, especialmente sobre a seletividade na defesa do cumprimento das decisões judiciais.
Deixe sua opinião: