Dudu denuncia dívida de R$ 267 milhões no transporte de Teresina
Ele cobra transparência na gestão e nas contas públicas da capital piauiense
Durante sessão realizada na Câmara Municipal de Teresina, nesta quarta-feira (9), o vereador Dudu (PT) revelou que a Prefeitura acumula uma dívida de R$ 267 milhões com o sistema de transporte público da capital. Segundo o parlamentar, o montante não foi incluído nas auditorias realizadas pela atual gestão, que já identificou um rombo de R$ 3 bilhões nas contas do município.
Dudu defendeu que a administração municipal trate esse débito com mais prioridade e transparência. Para ele, a omissão em torno do tema compromete serviços essenciais, como mobilidade urbana, saúde e limpeza pública.
O vereador também criticou a postura do prefeito Sílvio Mendes (UB) diante de situações que envolvem possíveis irregularidades contratuais. Segundo Dudu, a Prefeitura deveria recorrer à Justiça sempre que identificar prejuízos ao erário, como forma de garantir a responsabilização de empresas e evitar perdas aos cofres públicos.
“Quando o município se sente lesado, precisa agir com firmeza e buscar respaldo jurídico, assim como fazem as empresas que garantem decisões favoráveis na Justiça. Recentemente, uma delas obteve liberação de R$ 10 milhões por meio de sentença judicial. Isso mostra que o poder público também pode — e deve — se resguardar legalmente”, afirmou o parlamentar.
CPI do Rombo avança e levanta novas inconsistências
As declarações de Dudu ocorreram no mesmo dia em que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga o rombo nas contas da Prefeitura, avançou para uma nova etapa. Os membros da CPI iniciaram o cruzamento de documentos enviados pelo Executivo com as declarações prestadas pelo secretário municipal de Finanças, Edgar Carneiro, durante a primeira oitiva.
O presidente da comissão, vereador Dudu, cobrou a entrega do balanço contábil referente ao exercício de 2024, documento que, segundo ele, é essencial para o aprofundamento das investigações.
“O secretário se comprometeu a enviar esse material, mas o documento está em atraso. Sem ele, não conseguimos avaliar com precisão a real situação financeira do município”, pontuou.
Dudu também questionou o pagamento irregular de contratos com empresas terceirizadas. Ele apontou que dívidas não quitadas nos últimos meses de 2023 estão sendo pagas normalmente neste ano, o que, segundo ele, levanta dúvidas sobre a gestão dos contratos.
“Como é possível que essas dívidas não tenham sido atestadas entre outubro e dezembro, mas estejam sendo pagas normalmente em 2025? Isso precisa ser esclarecido”, alertou.
Divergências nos dados e questionamento sobre o IPMT
Outro ponto levantado pelo vereador foi a forma como a Prefeitura tem apresentado os dados fiscais à sociedade. Ele criticou a inclusão de obrigações legais como INSS e FGTS na rubrica do chamado “rombo fiscal”, argumentando que essas despesas fazem parte do orçamento corrente do município.
“Estão tratando retenções obrigatórias como se fossem desvios de verba. Isso distorce a realidade e confunde a população”, disse.
Dudu também apontou inconsistências nas informações repassadas sobre o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Teresina (IPMT). Enquanto relatório oficial apontava um déficit de R$ 500 milhões, o secretário Edgar Carneiro declarou que o instituto possui superávit superior a R$ 200 milhões e que pode chegar a R$ 500 milhões nos próximos meses.
“Essa contradição precisa ser corrigida. Não se pode divulgar números tão graves sem base concreta”, afirmou.
Próximos passos da CPI
A CPI continuará os trabalhos com a convocação de novos depoentes, incluindo gestores municipais, fornecedores e secretários. A meta é esclarecer a origem das dívidas, avaliar a legalidade dos contratos firmados e identificar eventuais falhas na execução orçamentária.
“Vamos seguir com as oitivas e aprofundar os questionamentos. A sociedade espera respostas e nós temos a responsabilidade de entregar um relatório conclusivo”, finalizou Dudu.
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