Previdência

Do luxo às suspeitas: a queda de brilho de Nelson Wilians

Nelson Wilians construiu uma imagem pública marcada pela ascensão meteórica e pelo luxo ostensivo


Reprodução Do luxo às suspeitas: a queda de brilho de Nelson Wilians
Nelson Wilians

Por anos, o advogado Nelson Wilians construiu uma imagem pública marcada pela ascensão meteórica e pelo luxo ostensivo. À frente do Nelson Wilians Advogados (NWADV) — considerado o maior escritório de advocacia empresarial da América Latina — ele se tornou símbolo de sucesso profissional. Só em 2023, o faturamento da banca cresceu 45%, e no primeiro trimestre de 2024 quase dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior. Essa escalada econômica alimentava uma narrativa de triunfo, reforçada pelas postagens em redes sociais que exibiam mansões, viagens, carros de luxo e até um helicóptero personalizado.

O estilo de vida ostentado era impressionante: uma frota de ao menos 23 automóveis, entre eles Ferrari, Rolls-Royce, Bentley e BMW, todos com placas personalizadas; um helicóptero com emblemas exclusivos; lanchas de alto padrão em Angra dos Reis; imóveis em bairros nobres de São Paulo, como uma mansão avaliada em R$ 40 milhões no Jardim Europa; além de um terreno vizinho adquirido por R$ 22 milhões, transformado em “jardim particular”. Estimativas de mercado apontavam para uma fortuna entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,7 bilhão.

Esse império, contudo, passou a ser questionado após a deflagração da Operação Cambota, desdobramento da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Deflagrada em 12 de setembro de 2025, a ação mirou um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias do INSS. Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e decretadas duas prisões preventivas. Entre os alvos das buscas estava justamente o advogado que até então era celebrado como exemplo de empreendedorismo jurídico.

Na investigação, a PF aponta possíveis indícios de lavagem de dinheiro, com movimentações financeiras que somam R$ 4,3 bilhões. O cerco incluiu buscas em sua residência e escritório, além da apreensão de obras de arte, relógios, dinheiro vivo e veículos de alto valor. A Polícia também apura negócios imobiliários usados para ampliar e valorizar o patrimônio do advogado, suspeitos de funcionar como instrumentos de ocultação de bens.

Apesar de a PF ter solicitado sua prisão preventiva, o pedido foi negado pelo ministro (indicado por Bolsonaro) André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que não identificou risco de fuga ou obstrução das investigações. Nelson Wilians permanece em liberdade e, segundo sua defesa, colabora com as autoridades.

A trajetória de luxo e prestígio agora se cruza com as páginas policiais.

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