Trabalho

Desemprego no Brasil cai a 5,8%, menor nível desde 2012

Desocupação caiu em 18 estados, enquanto rendimento médio subiu e desigualdades de gênero, raça e escolaridade persistem.


Marcello Casal JrAgência Brasil Desemprego no Brasil cai a 5,8%, menor nível desde 2012
Carteira de Trabalho

A taxa de desocupação no Brasil recuou para 5,8% no segundo trimestre de 2025, marcando o menor patamar da série histórica iniciada em 2012. Os dados, divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a queda foi observada em 18 das 27 unidades da federação, enquanto nas demais a taxa se manteve estável.

Pernambuco (10,4%), Bahia (9,1%) e Distrito Federal (8,7%) apresentaram os maiores índices de desemprego no período. Em contrapartida, as menores taxas foram registradas em Santa Catarina (2,2%), Rondônia (2,3%) e Mato Grosso (2,8%).

O levantamento faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) Trimestral e aponta que todas as faixas de tempo de procura por trabalho apresentaram redução no número de desocupados em comparação com o mesmo período de 2024. O número de pessoas buscando emprego há dois anos ou mais caiu 23,6%, totalizando 1,3 milhão de indivíduos.

Segundo William Kratochwill, analista do IBGE, os dados refletem um cenário otimista: “A queda nos contingentes de desocupados indica que há mais oportunidades no mercado, inclusive para aqueles que enfrentavam maior dificuldade em conseguir trabalho”.

Desigualdade de gênero, raça e escolaridade ainda é evidente

Apesar da melhora geral, as disparidades permanecem. A taxa de desocupação entre mulheres (6,9%) continua superior à dos homens (4,8%). Do ponto de vista racial, o desemprego foi menor entre brancos (4,8%) e mais elevado entre pretos (7,0%) e pardos (6,4%).

A escolaridade também influenciou os resultados. Pessoas com ensino médio incompleto apresentaram taxa de 9,4%, enquanto aquelas com ensino superior completo registraram 3,2%.

Informalidade segue alta em alguns estados

A informalidade atingiu 37,8% dos trabalhadores no Brasil. Maranhão (56,2%), Pará (55,9%) e Bahia (52,3%) lideram com as maiores taxas. Já os menores índices foram observados em Santa Catarina (24,7%), Distrito Federal (28,4%) e São Paulo (29,2%).

Entre os empregados do setor privado, 74,2% tinham carteira assinada. Santa Catarina teve a maior proporção de trabalhadores formais (87,4%), enquanto o Maranhão teve a menor (53,1%).

Rendimento e massa salarial em alta

O rendimento médio real do trabalhador brasileiro subiu para R$ 3.477. A região Sudeste apresentou a maior média (R$ 3.914), com crescimento de 2,8% em relação ao segundo trimestre de 2024. No Sul, o aumento foi de 5,4%, enquanto nas demais regiões houve estabilidade.

A massa de rendimento real habitual alcançou R$ 351,2 bilhões — o maior valor já registrado, sendo R$ 177,8 bilhões apenas no Sudeste.

A PNAD Contínua, principal fonte de dados sobre o mercado de trabalho no país, ouviu aproximadamente 211 mil domicílios em todo o território nacional. O próximo boletim, referente ao terceiro trimestre de 2025, será divulgado em 14 de novembro.

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