Política

Delegados/deputados e a blindagem aos criminosos de terno e gravata

A Câmara dos Deputados, sob liderança do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), aprovou o projeto da dosimetria


Reprodução Delegados/deputados e a blindagem aos criminosos de terno e gravata
Delegados/deputados e a blindagem aos criminosos de terno e gravata

O país despertou em choque nesta quarta-feira. A Câmara dos Deputados, sob liderança do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), aprovou o projeto da dosimetria — uma medida que, na prática, reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro para pouco mais de dois anos de prisão. A decisão contrasta frontalmente com o discurso punitivista adotado recentemente pelos próprios parlamentares, que, após a chacina ocorrida no Rio de Janeiro, aprovaram um pacote de endurecimento penal em nome do “combate ao crime”.

Na prática, porém, o movimento do Legislativo segue direção oposta. Ao suavizar penas para o crime de tentativa de golpe de Estado, a Câmara expõe um tratamento desigual e alimenta críticas públicas de que estaria atuando como um verdadeiro “sindicato dos bandidos”, expressão que ganhou força nas redes sociais, acompanhada de pedidos de renúncia de Hugo Motta.

O problema, contudo, não se limita ao comando da Casa. Entre os deputados federais, dez utilizam o título de “delegado” como prenome e todos votaram a favor do projeto. Com isso, além de beneficiar Bolsonaro, a medida tende a repercutir em casos envolvendo figuras como Fernandinho Beira-Mar, Marcola e outros líderes do crime organizado.

A distinção entre esses criminosos, apontam críticos, não está nas condutas, mas nos trajes: alguns vestem roupas comuns; outros, terno e gravata. A seguir, a lista dos delegados que apoiaram a redução das penas:

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