De olho nas terras raras, governo endurece discurso e aposta em industrialização nacional
Brasil reforça soberania mineral diante de pressões externas e disputa com EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (12), que o Brasil adote um modelo soberano para a exploração de minerais estratégicos, evitando repetir acordos considerados lesivos, como o firmado entre Ucrânia e Estados Unidos. Em entrevista à BandNews, Lula anunciou a criação de um conselho ligado diretamente à Presidência da República para proteger o setor mineral e garantir que a extração e o processamento ocorram em território nacional, segundo informou o RT Brasil.
A referência de Lula recai sobre o tratado que concedeu a Washington prioridade de compra e isenção tributária para 57 tipos de recursos ucranianos — incluindo terras raras, petróleo e gás —, alvo de críticas por supostamente enfraquecer a soberania de Kiev. “Se o presidente americano quiser discutir, que seja numa mesa de negociação, não com taxação ou ameaça. No Brasil, eu gosto de ser considerado”, declarou.
O presidente também reagiu a eventuais medidas de pressão econômica do governo Donald Trump, que recentemente impôs tarifas adicionais de 40% sobre produtos brasileiros, elevando o total para 50%. “Fomos colônia por muito tempo e parte da elite brasileira ainda tem complexo de vira-lata. Eu não nasci com esse complexo”, disse, frisando que qualquer acordo de mineração deve assegurar produção e beneficiamento em solo brasileiro.
As tarifas de Trump, em vigor desde 6 de agosto, são justificadas pela Casa Branca como resposta a “práticas comerciais nocivas”. Na mesma semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes foi alvo de sanções da Lei Magnitsky, com bloqueio de ativos e restrições de entrada nos EUA, em represália a decisões judiciais contra aliados do ex-presidente norte-americano.
Lula encerrou reforçando a defesa da soberania nacional: “Sem soberania, o Brasil não existiria. Foi ela que nos trouxe liberdade e independência, e está no topo da nossa Constituição”.
Haddad defende industrialização de minerais estratégicos
Durante sessão da comissão mista no Senado que analisa a Medida Provisória 1.303/2025, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o Brasil precisa romper com o padrão de exportar apenas commodities minerais e adotar uma estratégia de agregação de valor, especialmente no caso de minerais críticos como lítio, nióbio e terras raras — alvo de crescente interesse geopolítico. A declaração foi publicada pelo portal Metrópoles.
Haddad ressaltou que a administração Trump já manifestou interesse em firmar acordos no setor, inclusive cogitando reduzir tarifas unilaterais impostas ao Brasil. Ele, no entanto, defendeu que o país priorize a produção interna e busque cooperação não só com os Estados Unidos, mas também com China e União Europeia. “A turma fica de olho no território nacional. Temos que precipitar esse debate e encontrar formas de agregar valor ao minério”, afirmou.
Dados do Ministério de Minas e Energia indicam que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do planeta, com cerca de 25% do total global. Segundo especialistas, processar e industrializar internamente esses recursos é crucial para gerar empregos qualificados, fortalecer a indústria nacional e posicionar o país de forma privilegiada na cadeia global de tecnologias avançadas — incluindo baterias, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.
Esse reposicionamento estratégico ocorre em um cenário internacional marcado pela disputa por insumos de alta tecnologia e energia limpa, no qual países competem para garantir cadeias de suprimento seguras e sustentáveis.
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