Datafolha: a disputa será acirrada para a eleição presidencial deste ano
Mas cientista político destaca que, apesar do estreitamento das intenções de voto, Lula ainda se mantém como favorito
A nova pesquisa Datafolha aponta Lula com 46% contra 43% de Flávio Bolsonaro no segundo turno. O resultado indica empate técnico e fim da vantagem confortável.
O levantamento foi realizado com cerca de 2.000 entrevistas em todo o país, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Nesse cenário, a diferença de 3 pontos não garante liderança estatística.
No confronto direto com Flávio, Lula mantém leve vantagem numérica. Mas a margem caiu em relação a rodadas anteriores, quando o presidente aparecia acima dos 50%.
O dado central é a convergência.
Lula não aparece mais distante de nenhum dos principais nomes da direita.
Contra Romeu Zema, o cenário também é de empate técnico. O governador de Minas aparece na faixa de 42% a 45%, enquanto Lula oscila entre 44% e 47%, sempre dentro da margem.
Contra Ronaldo Caiado, o padrão se repete. Ambos aparecem próximos da casa dos 40% a 45%, sem diferença consolidada.
Isso significa que, nos três cenários principais, a disputa está praticamente nivelada.
Outro número relevante é a rejeição.
Lula tem cerca de 44% a 46% de rejeição, um dos maiores índices entre os testados.
Flávio Bolsonaro aparece com rejeição próxima de 45%.
Já Zema e Caiado têm rejeição menor, na faixa de 25% a 30%, o que explica a competitividade mesmo com menor exposição nacional.
No primeiro turno, o cenário ainda mostra Lula na frente.
Ele aparece com algo entre 35% e 38% das intenções de voto, dependendo da simulação.
Os candidatos da direita aparecem fragmentados:
- Flávio Bolsonaro: cerca de 15% a 18%
- Tarcísio de Freitas: entre 10% e 15%
- Zema e Caiado: variando entre 5% e 12% cada
Essa dispersão explica por que Lula ainda lidera a primeira etapa.
Mas no segundo turno, esses votos se somam.
É isso que gera o empate.
Outro dado importante é o nível de indecisos.
Entre 8% e 12% dos eleitores ainda não sabem em quem votar ou declaram voto branco e nulo.
Esse grupo pode decidir a eleição.
Também chama atenção a estabilidade do voto.
Mais de 70% dos eleitores dizem já ter posição definida, o que indica menor espaço para viradas bruscas.
O cenário regional também pesa.
Lula mantém vantagem forte no Nordeste, com índices acima de 55%.
Já a direita lidera no Sul e Centro-Oeste, com números que passam de 50% em alguns estados.
O Sudeste aparece dividido, sendo o principal campo de disputa.
Para o Brasil, os números mostram uma eleição mais equilibrada que a anterior.
Diferenças de 2 a 3 pontos tornam qualquer resultado imprevisível.
No plano econômico, isso aumenta a cautela.
Mercado, empresas e investidores tendem a reagir com mais prudência diante de um cenário sem favorito claro.
O dado central não é quem lidera.
É o empate.
Com Lula entre 44% e 47% e adversários entre 42% e 45%, a eleição de 2026 entra em uma zona de máxima incerteza.
E, nesse cenário, poucos pontos passam a decidir tudo.
O cientista político Cristiano Noronha, entrevistado pela Veja neste fim de semana, e que analisou a disputa com um olhar estratégico, destaca que, apesar do estreitamento das intenções de voto, Lula ainda se mantém como favorito. Noronha afirmou que a “polarização política atingiu um nível tão alto que cerca de 83% do eleitorado já tomou uma decisão”, e as críticas e denúncias, em sua maioria, “tendem a reforçar as convicções já existentes, sem alterar significativamente o comportamento eleitoral”.
O cientista político prevê uma disputa apertada, com uma possível vantagem de cerca de quatro pontos percentuais para o vencedor, considerando o cenário consolidado de votos. Também observou que os escândalos de corrupção, como os envolvendo o mensalão e o petrolão, não têm mais o impacto que tiveram nas eleições passadas, já que são amplamente conhecidos pelo eleitorado. Contudo, alertou que novas denúncias envolvendo figuras relevantes ou instituições poderiam modificar o quadro.
Em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro, Noronha acredita que seu crescimento tende a desacelerar. O senador já conseguiu reduzir uma diferença significativa, que antes era de 17 pontos para algo em torno de 4 a 5 pontos, mas com o eleitorado já consolidado, seus ganhos futuros deverão ser mais modestos.
Embora Lula ainda possa reagir, sua recuperação de popularidade deverá ser limitada, com um crescimento “potencial entre dois e cinco pontos”, que pode resultar numa nova vitória contra a extrema direita, como no segundo turno em 2022, quando o presidente derrotou Bolsonaro com 50,90% dos votos válidos, contra 49,10%, uma diferença foi de aproximadamente 2 milhões de votos.
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