Corpo encontrado é de ex-candidato a vereador pelo PT em SC, confirma a polícia
José Cabral Neto residia no mesmo município que o homem-bomba Tiu França

O corpo de José Cabral Neto, de 27 anos, conhecido como Zé Ceará e ex-candidato a vereador pelo PT, foi encontrado no Rio Itajaí-Açu, em Rio do Sul (SC), no último mês. A Polícia Civil, que investiga o caso desde o desaparecimento do homem em novembro, confirmou a identidade do corpo nesta terça-feira (3). A causa da morte, no entanto, permanece indeterminada, segundo laudo pericial.
Zé Ceará havia se mudado para Rio do Sul há cerca de sete anos em busca de novas oportunidades. Na noite de seu desaparecimento, o açougueiro ligou para a esposa desesperado, afirmando que havia pessoas o perseguindo. A mulher encontrou latas de cerveja no portão de casa e não conseguiu mais contato com o marido. As investigações apontam que a vítima não tinha inimigos, mas a polícia não descarta nenhuma hipótese.
O pensarpiauí já tinha abordado o caso, Veja: Ex-candidato do PT, conterrâneo de Tiu França, está desaparecido há 13 dias
A morte de Zé Ceará, que havia sido demitido pouco antes de desaparecer, intriga a polícia e a comunidade local. A carteira e o carro da vítima foram encontrados em locais distintos, o que aumenta o mistério em torno do caso. O delegado Bruno Reis, responsável pela investigação, reforçou que as buscas por mais informações continuam.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a confirmação da identidade do corpo. Zé Ceará, apesar de ter recebido apenas 18 votos nas últimas eleições, era conhecido na comunidade e sua morte precoce gerou comoção entre familiares, amigos e conhecidos. A família, que veio de Fortaleza (CE) para Rio do Sul em busca de uma vida melhor, agora luta por respostas sobre o que aconteceu com o jovem.
Relembre
Segundo relato da sua companheira, Damiana, ele desapareceu após fazer uma ligação pedindo ajuda no dia 1º de novembro. O desaparecimento cercado de mistério tem causado grande angústia para a família. Em entrevista a uma TV local, a mãe de Zé Ceará diz que numa dessas ligações que fez no dia do desaparecimento, ele além de dizer que estava sendo perseguido, dizia que eram os “homi”, numa provável alusão a policiais, e que agora ia dar um desmantelo. Segundo ela, desmantelo em gíria nordestina seria uma confusão.
A carteira de José foi encontrada em um terreno próximo à sua casa, enquanto seu carro apareceu em outro local. Na frente da casa também haviam duas latinhas de cerveja ainda fechadas. Muito provavelmente ele teria sido sequestrado no local.
Presidente do PT falou
Entrevistada, a presidente do PT de Rio do Sul, Regina Garcia Ferreira, disse que o partido está buscando todos os meios para esclarecer o desaparecimento de Zé Ceará. “Encaminhamos ontem quatro ofícios. Um para a corregedoria da PM, um para a presidência do TER-SC, um para o presidente da Alesc e outro para a Comissão de Direitos Humanos da Alesc. Nossa intenção é que eles cobrem as autoridades locais para que isso essa história seja esclarecida”, afirmou.
Indagada pela reportagem se vê relação do desaparecimento de Zé Ceará com as bombas de ontem em Brasília, já que o autor do atentado era de Rio do Sul, Regina prefere não fazer conexões. “Não tenho como tratar disso, pois não tenho provas. Mas tá tudo muito estranho”, disse.
O que impressiona é que na frente da casa de Zé Ceará haviam câmeras de monitoramento do sistema Bem Te Vi, da Polícia Militar local. E até o momento, a família não conseguiu ter acesso as filmagens.
A presidenta do PT diz que o caso se torna ainda mais misterioso porque dias antes do desaparecimento de Zé Ceará, a PM foi a uma festa da comunidade nordestina e nortista em Rio do Sul pedindo para que se diminuísse o som do ambiente. “Eles ficaram uns minutos e foram embora. Só que depois chegou o Bope e eles acabaram com a festa, quebraram tudo. Foi uma violência, uma truculência. As pessoas fizeram B.O. e corpo delito. Não sei se uma coisa tem relação com a outra”, registra.
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