Segurança Pública

Mulher reage a tentativa de estupro, luta por quase 30 minutos e imobiliza agressor dentro de apartamento em SP

Invasor entrou no quarto enquanto vítima dormia


ICL Mulher reage a tentativa de estupro, luta por quase 30 minutos e imobiliza agressor dentro de apartamento em SP
Wellington de Oliveira e Jéssica Elen

O que começou como uma manhã comum se transformou em uma luta desesperada pela sobrevivência para a nutricionista Jéssica Elen Soares da Silva. Moradora de um condomínio em Barueri, na Grande São Paulo, ela foi surpreendida dentro do próprio apartamento por um invasor que tentou estuprá-la enquanto dormia. Após quase 30 minutos de agressões e confronto físico, a vítima conseguiu reagir, escapar e impedir o crime.

O suspeito, identificado como Wellington de Oliveira Santos, de 37 anos, entrou no condomínio sem autorização na manhã de 23 de maio. Imagens das câmeras de segurança mostram que ele aproveitou a saída de um morador para acessar o prédio e circular livremente pelas áreas comuns até chegar ao 18º andar, onde morava a nutricionista.

Segundo o relato da vítima, a porta do apartamento estava apenas encostada. O namorado havia saído mais cedo para participar de uma atividade escolar da filha e pretendia retornar pouco tempo depois.

Invasor entrou no quarto enquanto vítima dormia

Natural de Fortaleza e morando em São Paulo há cerca de um ano e meio, Jéssica contou que acordou ao perceber a presença de alguém dentro da residência.

Inicialmente, imaginou que fosse o namorado retornando ao apartamento. No entanto, o comportamento silencioso do invasor despertou sua desconfiança.

"Eu achei estranho aquele excesso de cuidado para não me acordar. Quando vi que não era meu namorado, fingi que estava dormindo", relatou.

A estratégia durou poucos segundos. O homem se aproximou da cama, colocou a mão sobre sua boca, simulou estar armado e ordenou que permanecesse em silêncio.

"Eu acordei com um homem que nunca tinha visto na minha vida dentro do meu quarto", lembrou.

Conhecimento em artes marciais ajudou a salvar a vítima

De acordo com a Polícia Civil, Wellington tentou dominar a vítima, arrancar suas roupas e impedir qualquer pedido de socorro. Durante a agressão, ele repetia ameaças e afirmava observar a rotina da nutricionista havia algum tempo.

Jéssica reagiu utilizando técnicas que aprendeu ao longo dos anos em modalidades como boxe, muay thai, jiu-jítsu e defesa pessoal.

Em um dos momentos mais críticos do confronto, ela conseguiu desequilibrar o agressor com um movimento de quadril e criar espaço para tentar alcançar o celular.

A partir daí, iniciou-se uma intensa luta corporal. A nutricionista sofreu socos, puxões de cabelo, tentativas de estrangulamento e chegou a cair de uma escada enquanto tentava fugir.

Mesmo ferida, ela continuou resistindo.

"Ele subiu em cima de mim e eu fiquei tentando tirar ele. Fiz uma elevação do quadril com muita força e consegui jogá-lo para o outro lado da cama", contou.

Em determinado momento, a vítima chegou a aplicar um golpe conhecido como "mata-leão" para conter o agressor.

Fuga e pedido de socorro

Após longos minutos de luta e já exausta fisicamente, Jéssica percebeu que precisava encontrar uma oportunidade para escapar.

Segundo seu relato, ela fingiu que deixaria de resistir para reduzir a vigilância do agressor. A estratégia funcionou.

A nutricionista conseguiu correr para o corredor do prédio, onde passou a bater nas portas dos apartamentos e pedir ajuda aos vizinhos.

As imagens das câmeras de segurança registraram o momento em que ela surge desesperada em busca de socorro.

Mesmo após a fuga, Wellington ainda tentou alcançá-la, mas moradores intervieram, contiveram o suspeito e acionaram a Guarda Civil Municipal.

Suspeito foi preso e já tinha condenação por estupro

Wellington de Oliveira Santos foi preso em flagrante. Posteriormente, a Justiça converteu a prisão em preventiva.

Durante depoimento, ele negou as acusações e afirmou que apenas entrou no condomínio para se proteger da chuva após sair de um bar. Segundo sua versão, encontrou a porta do apartamento aberta e entrou no imóvel, mas alegou que não agrediu a vítima.

A investigação, entretanto, aponta para tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio.

A Polícia Civil também apreendeu o celular do suspeito para perícia. Os investigadores buscam identificar mensagens, contatos e possíveis indícios de monitoramento prévio da rotina da vítima.

O caso ganhou ainda mais gravidade após a descoberta de que Wellington já havia sido condenado anteriormente por estupro, roubo, violação de domicílio e constrangimento ilegal em um crime ocorrido em 2015, em Santana de Parnaíba.

Documentos judiciais mostram que ele recebeu pena de 11 anos e 4 meses de prisão. A condenação foi mantida em segunda instância em 2017. Após cumprir parte da pena, passou ao regime semiaberto em 2020 e obteve livramento condicional em 2021.

Foi nessa condição que voltou a ser preso agora, acusado de invadir um apartamento e tentar estuprar uma mulher.

Trauma e recuperação

Após o ataque, Jéssica deixou o apartamento onde morava, passou a receber acompanhamento psicológico e relata dificuldades para dormir sem o auxílio de medicamentos.

"Tem hora que é medo, tem hora que é ódio, tem hora que é força. Mas eu sei que briguei para sobreviver", afirmou.

A advogada da vítima, Silvana Campos, também questiona as falhas na segurança do condomínio, destacando que o invasor conseguiu entrar no residencial, circular pelos corredores e acessar o apartamento sem qualquer intervenção.

Veja vídeo do site Metrópoles: 

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