Política

Como o governo viu as manifestações de ontem?

Os protestos realizados ontem foram interpretados pelo governo Lula (PT) como um marco político contra a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro e também contra Jair Bolsonaro


Reprodução Como o governo viu as manifestações de ontem?
Manifestação de 21 09 2025

Os protestos realizados no domingo (21) nas 27 capitais foram interpretados pelo governo Lula (PT) como um marco político contra a anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro e também contra Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o jornal O Globo, ministros avaliam que as manifestações funcionaram como um freio definitivo a uma pauta já fragilizada no Congresso. Divergências entre o Centrão e o PL dificultavam a tramitação da anistia, cujo relator, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), chegou a propor a revisão das penas impostas pelo Supremo. A proposta, no entanto, não encontra consenso nem mesmo entre os aliados do ex-presidente. A mobilização de domingo aumentou a pressão sobre deputados e senadores, levando integrantes do governo a acreditar que até setores do Centrão repensarão o apoio à medida, especialmente diante da rejeição popular à chamada “PEC da Blindagem”.

No campo bolsonarista, crescem as críticas à condução da pauta. Deputados afirmam que a aprovação da urgência da anistia, ocorrida um dia depois da votação da PEC que restringe investigações sobre parlamentares, contaminou o debate e dificultou o avanço. Para o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, o impacto dos atos vai além da anistia:

“Essa aliança do Centrão com o bolsonarismo, expressa na ‘PEC da Bandidagem’ e na anistia, explodiu um sentimento de indignação contra o sistema. A pauta do país vai mudar. Esqueçam anistia, blindagem ou redução de penas. Até o semipresidencialismo em discussão entra em xeque”, disse.

Mesmo parlamentares ligados a Bolsonaro admitiram em reservado surpresa com a dimensão dos protestos. Na Avenida Paulista, em São Paulo, o Monitor do Debate Político da USP registrou 42.379 participantes — praticamente o mesmo número do último ato bolsonarista no local, em 7 de setembro, que reuniu 42,2 mil pessoas.

Para governistas, o crescimento da mobilização é sinal de que a sociedade rejeita retrocessos institucionais e pode influenciar diretamente a agenda do Congresso. Já líderes do PL reconhecem que, após a aprovação da PEC da Blindagem, perderam o controle do discurso anticorrupção, agora explorado pela esquerda.

As manifestações de 21 de setembro, portanto, representam um ponto de inflexão no cenário político de Brasília, aumentando as barreiras para a anistia e reconfigurando a correlação de forças entre governo, Centrão e bolsonarismo.

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