Política

Como foi o dia de Ciro Nogueira em casa após ser alvo de operação da PF

Segundo a PF, Ciro aparece na investigação como possível “destinatário central” de vantagens indevidas supostamente pagas por pessoas ligadas ao Banco Master


O Globo Como foi o dia de Ciro Nogueira em casa após ser alvo de operação da PF
Ciro Nogueira em sua casa no dia de ontem

O senador Ciro Nogueira passou a quinta-feira (7) isolado em sua residência oficial, em Brasília, após ser alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. O presidente nacional do PP foi acordado por agentes da PF às 6h da manhã, durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo relatos obtidos pelo jornal O Globo, o parlamentar permaneceu recluso durante todo o dia, orientado por seus advogados a evitar deslocamentos enquanto a defesa analisava os desdobramentos da investigação. A recomendação levou Ciro a cancelar compromissos e até desistir de uma visita que cogitava fazer à residência oficial do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A operação da Polícia Federal provocou forte tensão nos bastidores do Centrão e abriu uma crise política no entorno do comando do PP. Durante o dia, Ciro Nogueira manteve contato direto com aliados e recebeu uma sequência de ligações de parlamentares da legenda na Câmara e no Senado. O movimento foi descrito internamente como uma tentativa de alinhar o discurso do partido diante do avanço das investigações.

Além das conversas telefônicas, o senador recebeu visitas de familiares, advogados e do líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho, considerado um dos aliados mais próximos de Ciro. Segundo interlocutores, o clima era de abatimento e preocupação, com o senador acompanhando o noticiário em tempo real e mantendo reuniões reservadas com sua equipe jurídica.

Nos bastidores do PP, dirigentes admitem que já existia preocupação com o avanço das investigações envolvendo o Banco Master, mas a operação surpreendeu parte do grupo pelo alcance e pelo momento político. Apesar da mobilização interna, líderes de outros partidos do Centrão evitaram manifestações públicas de apoio ao senador.

Integrantes do União Brasil e do Republicanos adotaram cautela e, reservadamente, demonstraram receio de que a investigação possa atingir outros nomes influentes do bloco. Um dos citados nos bastidores é Antonio Rueda, mencionado em mensagens relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. Rueda já admitiu que seu escritório prestou serviços jurídicos ao Banco Master, afirmando que a atuação ocorreu dentro da legalidade.

Segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira aparece na investigação como possível “destinatário central” de vantagens indevidas supostamente pagas por pessoas ligadas ao Banco Master. Entre os elementos reunidos pela PF estão registros de pagamentos recorrentes, benefícios financeiros e suposta atuação política do senador em favor de interesses da instituição financeira.

A investigação também mira uma proposta apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Nos bastidores de Brasília, a medida passou a ser chamada de “emenda Master”. De acordo com a PF, mensagens apreendidas indicariam que o texto da proposta teria sido elaborado dentro do próprio banco antes de ser encaminhado ao senador.

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