Ciro Nogueira o senador dos super-ricos, por José Salan
A população piauiense elegeu um senador e os ricos do Brasil o nomearam seu representante
A população piauiense elegeu um senador e os ricos do Brasil o nomearam seu representante.
É muito interessante assistir ao comportamento do senador Ciro Nogueira no decorrer deste seu mandato que lhe foi outorgado pela população piauiense.
O senador do Piauí é considerado hoje o principal representante dos bilionários do Brasil. Defende, sem nenhum constrangimento, as pautas desse segmento social, se reúne regularmente com eles para firmar compromissos, alinhar agendas e defender os interesses na mídia.
Nós vivemos numa Democracia Representativa. Quando elegemos nossos representantes no parlamento é para agirem como se fossem um de nós. É de se esperar que os representantes de uma determinada população atuem em defesa os interesses dessa população, pois no palanque eleitoral quando pedem o voto de confiança, sempre defendem apenas aquilo que soa bem aos ouvidos dessa população: melhorar a saúde, a educação, criar emprego, trazer desenvolvimento para o estado. Nunca dizem que vão defender os ricos, que vão votar contra os benefícios dos aposentados; mas, na hora que viram as costas para o eleitor, só vão lembrar dele novamente quando se aproximam as outras eleições.
Diante disso, uma pergunta aparece imediatamente, por que o senador Ciro Nogueira que representa os eleitores do estado do Piauí, um estado com uma população majoritariamente de pobres e pessoas de baixa renda, se comporta como se representasse exclusivamente os super ricos?
O Governo Federal enviou um projeto de lei para o Congresso que propõe mudanças na cobrança do imposto de renda. Essa proposta tem revelado o real posicionamento de muitos políticos diante das possibilidades de aumentar a contribuição dos mais ricos. Nela, há uma alteração de patamar nas alíquotas do imposto de renda, liberando do imposto os salários até 5 mil reais e propondo cobrar 10% de quem ganha um salário mensal acima de 50 mil reais. Obrigatoriamente, um congressista do Piauí deve agarrar-se com unhas e dentes às propostas que defendem uma maior justiça fiscal e social, principalmente quando há possibilidade de uma redução de imposto para quem ganha menos.
O que vimos foi exatamente o contrário. O senador Ciro Nogueira muito rapidamente correu (ou pegou um jatinho amis helicóptero) para a Av. Faria Lima em São Paulo, o lugar que simbolicamente e realmente concentra os interesses dos super ricos do Brasil; foi lá com o objetivo de ouvir as orientações e as ordens de como deveria proceder diante desse projeto. Saiu com o compromisso de defender que a cobrança de 10% do imposto incidisse apenas e, de forma gradativa para os rendimentos acima de 100 mil por mês.
Ele virou o porta voz dos ricos e poderosos na política. Ou seja, tornou-se a referência na imprensa. Toda vez que os jornalistas querem saber a posição dos ricos sobre determinado assunto político, procuram o senador Ciro Nogueira que atende que toda desenvoltura que lhe é peculiar.
É triste ver um representante do povo piauiense assumindo essa postura, quando o estado que ele representa, com 3,3 milhões de habitantes e destes, cerca de 1,3 milhão, 40 % das pessoas vivem em situação de pobreza; um estado cujo salário médio em 2023 era de 1.300 reais.
É de se perguntar se é justo e digno que o representante desse povo sofredor seja um defensor ferrenho e preferencial de quem ganha muito, em detrimento daqueles que ganham pouco?
Por seu comportamento e seu desempenho como senador, tenho certeza que ele esqueceu completamente a situação e as condições de vida de quem o elegeu, principalmente quando usufrui as benesses e as regalias que os super ricos lhe proporcionam, como as viagens a festas e eventos dentro e fora do Brasil em jatos particulares dos famosos do mercado financeiro e dos donos de bets.
Com certeza, no Piauí inteiro, menos de 100 pessoas já ouviram falar no jato Gulfstream que levou o senador para a corrida de Fórmula 1 em Mônaco, exatamente a corrida símbolo de riqueza e ostentação, onde comparecem os bilionários do mundo.
Será que vivendo nesse mundo, sobra espaço e sensibilidade para ele se colocar e sentir as dores de quem vive com um salário mínimo ou menos, que depende da aposentadoria rural e tem família para sustentar?
Acredito que dificilmente ele vai lembrar que seus eleitores de Acauã, São Francisco de Assis, Assunção do Piauí, Curimatá, Avelino Lopes, Dirceu Arcoverde, Vila Nova e mais de cem outros municípios piauienses vivem uma situação de calamidade devido à seca e com muitas necessidades.
Se vocês acham que depois de mostrar todos esses comportamentos reprováveis do senador piauiense, acabou por aí, estão redondamente enganados.
Os problemas não param por aí. Ciro Nogueira, com o mandato que os eleitores piauienses lhes concederam, foi guindado ao Ministério do pior Presidente da história de nosso país, Jair Bolsonaro. Ciro foi um dos mais poderosos ministros de Bolsonaro, e junto com Artur Lira, então Presidente da Câmara eram quem de fato comandavam o governo e detinham o poder da República.
Para lembrar alguns fatos do mandato de Bolsonaro: em janeiro de 2019, o país estava fora do Mapa da Fome da ONU, uma condição que sempre foi sonhada e desejada pelos brasileiros. Com a implantação de suas políticas, o Governo do qual Ciro fez parte, com redução de direitos e sua política concentradora de rendas, fez com que as desigualdades sociais voltassem a crescer e em dezembro de 2022, o número de pobres no país saltou para 33 milhões de pessoas, fazendo o Brasil voltar novamente a ser incluído no Mapa da Fome.
Sem falar na política criminosa de Jair Bolsonaro, apoiada por Ciro Nogueira, que levou à morte milhares de brasileiros na pandemia da Covid. Não por acaso, o Brasil foi o segundo país do mundo com mais mortes por covid, atrás apenas dos Estados Unidos. Aqui foram mais de 700 mil pessoas e lá nos Estados Unidos, governado por outro negacionista maluco foram 1,06 milhão de pessoas que perderam a vida.
O senador deve uma explicação ao Piauí por seu apoio e conivência com a política da morte de Bolsonaro.
As regras da democracia pressupõem que o detentor de um mandato popular deve prestar contas à população sobre aquilo que fez com o mandato para o qual foi eleito. Com todos esses pulos fora do senador, vejo como necessário que ele venha a público, aqui no Piauí para prestar contas aos eleitores. Ele precisa dizer ao povo piauiense onde ele estava quando o Governo que participava como um dos principais ministros, preparava um Golpe de Estado para impedir a posse do Presidente eleito, para manter Bolsonaro na Presidência e implantar uma ditadura no Brasil. Se isso não bastasse ainda planejaram matar o Presidente Lula, o Vice Geraldo Alkmin e o Ministro do Supremo Tribunal Federal e Presidente do TSE Alexandre de Moraes. Mais do que isso, por que permaneceu calado durante todo o tempo, mesmo com todas as informações sobre o golpe vindo à tona?
Diante de tudo que tem expressado o Senador Ciro Nogueira, fica muito evidente que ele deve explicações sobre esses fatos, dos quais nunca falou. Afinal, o golpe foi articulado quase abertamente pelo Governo que fazia parte e por pessoas de seu convívio diário e cujo principal articulador era seu líder, seu ídolo e chefe imediato Jair Bolsonaro.
Pensam que é tudo? Não. O Ciro encontra espaço para atitudes mais absurdas ainda. Quando a gente pensa que as aberrações do comportamento do senador chegaram ao fundo do poço, a conjuntura política se encarrega de mostras coisas piores, como foi o caso das ameaças e das tarifas que Donald Trump promete impor ao Brasil prejudicando toda a população, a economia, empresas e o emprego no Brasil. Pois não é que o senador da República Ciro Nogueira, que tem como uma das funções a defesa do país, preferiu escolher o lado dos traidores da Pátria e teve a coragem de responsabilizar o Presidente Lula pelas taifas de Donald Trump. É a mesma coisa que culpar a vítima pelo crime, um comportamento típico de pessoas covardes que não têm coragem de assumir suas atitudes.
Já pensaram mais 8 anos para Ciro Nogueira, quanta maldade ele ainda poderia fazer contra seu povo, contra seu estado e contra o Brasil?
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