José Salan Barbosa Melo

Ciro Nogueira não será candidato pelo Piauí, por José Salan

Sua aposta agora é que, representando a extrema direita do centrão, possa ser o candidato a vice-presidente de Tarcísio de Freitas


Reprodução Ciro Nogueira não será candidato pelo Piauí, por José Salan
Ciro Nogueira

A cabeça do Senador Ciro Nogueira anda a mil por hora, neste momento do jogo político. Ele apostou todas suas fichas na candidatura do governador de São Paulo, o extremista de direita, capitão Tarcísio de Freitas, para a Presidência da República. Ciro sabe mais do que qualquer um de nós, o quanto é difícil para ele vencer uma eleição majoritária no Piauí. Sua aposta agora é que, representando a extrema direita do centrão, possa ser o candidato a vice-presidente de Tarcísio de Freitas. Seriam dois bolsonaristas compondo a mesma chapa.

Aqui no Piauí, Ciro está com os apoios nos municípios completamente desgastados e escassos. Sua ida para o Ministério da Casa Civil no governo Bolsonaro e o fato de ter virado as costas para os problemas do povo piauiense e de estar ao lado de quem trabalha 24 horas por dia contra os interesses da população mais pobre, assim como sua defesa intransigente do ex-presidente Jair Bolsonaro e de todos seus atos, vem retirando o pouco do apoio que lhe restava no Estado. Hoje, o povo conhece mais o Senador e sabe quais os interesses que ele tem defendido nos postos políticos que tem ocupado.

Entre tantos fatos negativos em seu currículo, tanto Ciro Nogueira quanto Tarcísio de Freitas, se mostraram a favor das sanções e do tarifaço que os EUA estão impondo ao Brasil. Nenhum dos dois proferiu uma única palavra condenando os Bolsonaros pela articulação contra o Brasil, nem ao Governo dos Estados Unidos pela perseguição política ao nosso país. Ao contrário, os dois pretensos candidatos culparam o Governo Brasileiro pelas tarifas e sanções que estão sendo aplicadas contra o Brasil.

Afirmar que Tarcísio e Ciro Nogueira são radicais é talvez uma redundância. Ser bolsonarista, como se auto classificam, já é em si sinônimo de extremismo de direita. É importante registrar que não existe bolsonarista moderado ou ponderado, é sempre radical e aloprado. O próprio Tarcísio, que durante um tempo tentou se vender como bolsonarista moderado, aloprou no último dia 7 na manifestação da Avenida Paulista com suas agressões ao Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. 

Ciro sabe que a concorrência para ocupar a vice presidência na chapa de Tarcísio é muito grande, a começar pela possibilidade, ainda que remota, da família Bolsonaro não lançar candidatura própria e apoiar o candidato Tarcísio de Freitas. Caso a família Bolsonaro venha a apoiar Tarcísio, jamais vai concordar em não ter o sobrenome Bolsonaro constando na chapa.

Na hora de escolher um candidato a vice, o cabeça de chapa e seus apoiadores avaliam o que cada nome pode acrescentar eleitoralmente à chapa.

Em termos de voto e de imagem, Ciro Nogueira mais prejudica do que acrescenta. Mesmo que ele represente o centrão. Para Tarcísio e sua turma, é bem mais fácil deixar Ciro fora da chapa do que outro candidato com mais densidade eleitoral e sem tanto rabo de palha.

Vamos fazer um exercício que seguramente farão aqueles que vão avaliar o peso de Ciro na composição da chapa.
1. Tira votos do Lula no Nordeste para levar ao Tarcísio?
2. Sai de seu estado, o Piauí, com uma estrondosa votação para seu candidato?
3. Goza de simpatia e visibilidade nas outras regiões do país para agregar apoio e voto à
chapa?
4. Dá confiabilidade e respeitabilidade à chapa?

Todos candidatos em chapas presidenciais que ganham visibilidade e aparecem bem nas pesquisas passam por um rigoroso escrutínio de sua ficha corrida. Será que Ciro Nogueira suportaria um raio X de sua vida pregressa? Dez entre dez piauienses acham que ele não suporta. Está aí a grande dor de cabeça de Ciro Nogueira.

Onde e para qual cargo concorrer nas eleições de 2026. Isso é o que a gente chama deverdadeira sinuca de bico. Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come. Neste caso, a porca.

Pensando na possibilidade de perder a eleição para o Senado em seu estado e despachado da candidatura de vice de Tarcísio, o que lhe restaria?

Candidato a deputado federal no Piauí ou ficar sem mandato? Talvez a alternativa seja mudar de domicílio eleitoral.

Iria para algum estado da região Norte gastar um caminhão de dinheiro para tentar uma vaga na Câmara Federal. Lá os desmatadores da floresta e garimpeiros clandestinos, que engrossam
o bolsonarismo, têm muita força política. Ou radicalizaria seu já conhecido discurso de extrema direita até “costear o alambrado” do fascismo para tentar concorrer a uma vaga na Câmara Federal por Santa Catarina ou no Paraná, onde discursos e postura extremista rendem voto na urna.

Uma derradeira opção, seria o Ciro perseguir o sonho de sua vida toda que é tentar ser Governador de seu estado. Neste caso, enfrentaria o Governador Rafael Fonteles, que ele tanto ataca. Está aí uma boa oportunidade para testar sua força política em seu Estado.


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