Política

Ciro Nogueira critica “bolhas”, mas fala apenas a linguagem do balcão de negócios

Para quem fala Ciro Nogueira? Certamente não para o Brasil. Certamente não para o Piauí. Ciro fala para o mercado, para o centrão


IA Ciro Nogueira critica “bolhas”, mas fala apenas a linguagem do balcão de negócios
Para quem fala Ciro Nogueira ?

O senador Ciro Nogueira afirma que Lula e Flávio Bolsonaro falam apenas para “bolhas”. Enquanto Lula e o bolsonarismo possuem bases sociais reais, Ciro não dialoga com a sociedade nem com o Piauí que o elegeu. Sua atuação se concentra no centrão, na barganha política e na defesa de interesses econômicos, distante de qualquer projeto nacional.

O QUE ACONTECEU 

O senador Ciro Nogueira resolveu posar de analista da política brasileira ao afirmar que Lula e Flávio Bolsonaro “falam para as suas bolhas”. A frase, publicada nas redes sociais, soa menos como reflexão e mais como tentativa de se colocar acima do tabuleiro político. Mas a pergunta que se impõe é direta: afinal, para quem fala Ciro Nogueira?

Lula, é um presidente eleito três vezes, com presença real na vida política, social e simbólica do país — e aparece novamente como favorito em pesquisas nacionais. A família Bolsonaro, embora alvo de críticas severas pelo método agressivo e antidemocrático de fazer política, conseguiu estabelecer diálogo com uma parcela expressiva da sociedade brasileira, mobilizando afetos, identidades e votos. Há público, há base, há discurso — ainda que questionável.

Ciro Nogueira, não. O senador não construiu base política por convencimento, projeto ou ideias. Seu capital é outro: o da engrenagem. Ciro fala a linguagem dos bastidores, dos acordos silenciosos, das planilhas de emendas e da ocupação estratégica de cargos. Sua comunicação não se dirige ao eleitor comum, mas a operadores do poder.

Ao lado do União Brasil, sob a liderança compartilhada com Antônio Rueda, Ciro tornou-se um dos rostos mais acabados do chamado centrão — um bloco fisiológico do Congresso Nacional que não apresenta projeto de país, não formula ideias estruturantes e não dialoga com a sociedade. Barganha. Troca. Negocia. Sobrevive.

Eleito senador pelo Piauí, Ciro Nogueira exerce, na prática, um mandato desconectado do estado que o elegeu. Seu eixo de atuação está voltado aos interesses dos grandes grupos econômicos da Faria Lima, em São Paulo — símbolo histórico do poder financeiro brasileiro. Uma elite que, até pouco tempo, era tratada como sinônimo de racionalidade econômica, mas que passou a ser exposta, após operações da Polícia Federal e do Ministério Público paulista, por conexões espúrias com esquemas do crime organizado.

Nesse contexto, a crítica de Ciro Nogueira soa vazia. Ele acusa outros de falarem para “bolhas”, quando ele próprio não fala para ninguém fora do circuito fechado do poder. Não dialoga com o povo, não presta contas à sociedade, não lidera ideias. Atua como gestor de interesses privados dentro da máquina pública.

A pergunta, portanto, permanece sem resposta satisfatória: para quem fala Ciro Nogueira? Certamente não para o Brasil. Certamente não para o Piauí. Ciro fala para o mercado, para o centrão e para o balcão de negócios da política — um idioma que não se aprende nas urnas, mas nos corredores.

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