Caiado repassou R$ 209 milhões a empresas investigadas por ligação com PCC
Empresas ligadas a investigado por elo com o PCC receberam recursos por meio de organização social contratada pelo governo de Goiás
A gestão do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, destinou ao menos R$ 209 milhões a empresas ligadas a Thiago Telles Batista de Souza, investigado por suposta conexão com o Primeiro Comando da Capital. Os repasses ocorreram por meio do Instituto de Medicina e Estudos (Imed), contratado para administrar unidades de saúde no estado.
O que aconteceu
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, entre 2020 e 2025, o governo de Goiás realizou pagamentos a uma organização social de saúde que mantinha contratos com empresas controladas, direta ou indiretamente, por Thiago Telles Batista de Souza.
Investigado pela Polícia Civil de São Paulo, Telles é apontado como “beneficiário final” de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, abastecido com recursos do tráfico de drogas, jogos ilegais e golpes contra consumidores. Conhecido pelo apelido de “Tom Cruise”, ele teria comprado grandes quantias de dinheiro em espécie de intermediários da facção em períodos coincidentes com contratos públicos, permitindo a circulação de valores fora do alcance do Banco Central e do Coaf.
Os recursos em Goiás chegaram às empresas por meio do Instituto de Medicina e Estudos (Imed), organização social responsável pela gestão hospitalar no estado. Entre 2019 e 2025, o instituto recebeu R$ 1,4 bilhão do governo estadual. Desse total, mais de 10% foram destinados a empresas vinculadas ao investigado.
Em nota, Caiado afirmou que órgãos federais de controle deveriam ter alertado o governo estadual sobre possíveis ligações entre fornecedores das organizações sociais e narcotraficantes. A Secretaria de Saúde de Goiás informou que a contratação de fornecedores é responsabilidade exclusiva das OSs. As empresas citadas negaram irregularidades, enquanto o Imed declarou desconhecer as investigações e afirmou seguir processos públicos de contratação.
Relatórios policiais indicam que a presença dessas empresas em contratos públicos representa risco institucional e pode facilitar a integração de recursos ilícitos ao sistema formal, comprometendo a transparência e expondo o erário a prejuízos.
O governo Caiado também utilizou a fintech BK Instituição de Pagamento, conhecida como BK Bank e investigada na Operação Carbono Oculto por suposta ligação com o PCC, para movimentar R$ 1,36 bilhão em programas sociais entre 2021 e 2025.
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