Política

Brasil deixa Mapa da Fome da ONU, aponta novo relatório

Segundo relatório da ONU, o Brasil reduziu a subnutrição e deixou a lista de países com fome grave após avanços no acesso à alimentação adequada


Estevam Costa/PR Brasil deixa Mapa da Fome da ONU, aponta novo relatório
Brasil deixa Mapa da Fome da ONU

Sob a gestão do presidente Lula (PT), o Brasil foi oficialmente retirado do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), conforme aponta o relatório divulgado nesta segunda-feira (28), durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares, realizada em Adis Abeba, na Etiópia. O documento, intitulado O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025, revela que menos de 2,5% da população brasileira vive em situação de subnutrição — patamar que indica que o país não enfrenta insegurança alimentar grave.

É a segunda vez que o Brasil sai do Mapa da Fome elaborado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). A primeira ocorreu em 2014, durante o governo Dilma Rousseff (PT), como resultado de políticas iniciadas com o programa Fome Zero. No entanto, o país voltou à lista entre 2018 e 2020, período marcado pelo agravamento da insegurança alimentar sob os governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

O relatório baseia-se em dados coletados entre 2022 e 2024 para compor o panorama atual.

Especialistas apontam que o maior obstáculo do Brasil não é a produção de alimentos — já que o país figura entre os maiores produtores globais —, mas sim o acesso da população a uma alimentação adequada e saudável.

O modelo agrícola brasileiro é alvo de debates. De um lado, há quem defenda um maior equilíbrio entre exportação e abastecimento interno, criticando o foco do agronegócio nas vendas externas. De outro, há quem argumente que o sistema atual já supre as demandas internas e externas, e que aumentar a produção, por si só, não resolverá o problema da fome.

As mudanças climáticas são apontadas como uma das principais ameaças à segurança alimentar futura. Consideradas o maior risco ao abastecimento, elas podem afetar diretamente a capacidade produtiva do país. Outro desafio relevante são os “desertos alimentares” — áreas onde o acesso a alimentos nutritivos e de qualidade é escasso ou inexistente.

Segundo a FAO, uma pessoa é considerada desnutrida quando, de forma contínua, consome menos calorias e nutrientes do que o necessário para manter uma vida saudável.

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