Política

Boulos lança Carta ao Povo de SP! Em campanha, só volta para casa no final de semana

Ele saiu de casa hoje de mochila feita


Boulos lança Carta ao Povo de SP! Em campanha, só volta para casa no final de semana
Boulos

O candidato a prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos (PSOL), fez hoje um ato em frente à prefeitura da cidade e leu a CARTA AO POVO DE SÃO PAULO. No documento, Boulos pediu um voto de confiança aos paulistanos e disse que a crítica que lhe é feita é a da inexperiencia e a da radicalidade. 

Para combater isso, disse que trouxe para sua vice, Marta Suplicy com toda a experiencia administrativa dela e que vai dialogar com todos. Seu governo, afirmou, vai ser do diálogo e construção conjunta. O compromisso de Boulos é fazer melhor e fazer diferente. Afirmou mais uma vez que, PARTICPAÇÃO será a forma do seu govertno.

Após ler a Carta, Boulos afirmou que hoje de cedo fez sua mochila e só volta para sua casa no final de semana. Daqui até lá vai passar os dias dialogando com os paulistanos e a noite dormindo na região em que estiver. 

Sobre as pesquisas, ele lembrou a eleição de Luiza Erundina no final dos anos 80. Na véspera das eleição, as pesquisas davam Erundina em terceiro lugar e no domingo ela foi eleita prefeita de SP. Por isso, Boulos acredita que esse é o momento da virada. Veja:

Leia a íntegra da Carta:

CARTA AO POVO DE SÃO PAULO

Venho aqui, de coração aberto, para falar com vocês. Eu nasci, cresci e formei minha  família na nossa cidade. Tive a oportunidade de viver os dois lados da ponte. O que  sempre me moveu, desde menino, quando fui atuar junto com as pessoas sem-teto,  foi o sentimento de indignação com as injustiças e a convicção de que é possível  vivermos numa sociedade melhor. Como pode uma cidade tão rica ter gente com  fome? Como pode ter tanta gente nas ruas? Como pode termos bairros com a  qualidade de vida da Suécia e outros, com a dos países mais pobres do mundo? Essas  inquietações são minhas, dos que caminham ao meu lado e, tenho certeza, também  são suas. 

Ter uma cidade mais humana, em que a solidariedade não seja destruída pela  indiferença, é o que eu acredito e quero fazer. Sei que muitos de vocês compartilham  desse sonho, mas têm dúvidas e receios. Muitos ficam assustados com a minha  trajetória no movimento social. Outros se questionam sobre se conseguiremos dar  conta ou se vamos dialogar com quem tem visões diferentes. E, por isso, ficam  receosos de apostar na mudança que representamos, mesmo sabendo que a cidade  não está boa. Peço aqui um voto de confiança a vocês. Eu me preparei para governar  nossa cidade: estudei cada área, cada contrato e cada solução. Chamei a Marta, com  sua experiência administrativa, para ser minha vice e juntamos especialistas e gestores  que passaram por governos de diferentes partidos. Nosso governo será de diálogo e  construção conjunta, sem amarras a qualquer tipo de sectarismo. 

Reconheço também que, pelo nosso propósito de olhar sempre para os invisíveis,  muitas vezes nós da esquerda deixamos de falar com tanta gente que também batalha,  sofre o dia-a-dia das periferias e que buscou encontrar sua própria forma de ganhar a  vida. A periferia mudou. Você, mulher, que foi abrir seu salão, vender salgados na  garagem de casa ou na porta do metrô, sabe disso. Você, jovem, que financiou uma  moto e foi trabalhar sem parar e sem nenhuma proteção, sabe disso. Você que pega  um carro e dirige a cidade toda como motorista de aplicativo sabe disso. Muitas vezes  nós deixamos de falar com vocês.  

Eu quero aqui assumir um compromisso com cada um de vocês: a Prefeitura de São  Paulo vai reconhecer o seu esforço e te oferecer oportunidades, não só aparecer pra  cobrar boleto. Isso não é apenas uma promessa de campanha. É um compromisso de  futuro.  

Sei que boa parte de vocês está descrente da política, perdeu a esperança por achar  que são todos iguais. E quando a gente vê quem aparece só de quatro em quatro anos,  repetindo o que o marqueteiro falou, eu te entendo. É difícil diferenciar quem está de verdade do seu lado dos que querem te enganar. O compromisso que eu assumo com  vocês não é apenas de fazer melhor, é de fazer diferente. Eu vou fazer meu Gabinete  na Rua, indo todos os dias escutar você no seu bairro e construir junto as soluções.  Vou fazer valer a participação como forma de governo, porque acredito que uma  política feita desse jeito, sem portas fechadas, pode renovar a esperança de muita  gente. Por isso, faço aqui um pedido a vocês: não desistam da mudança. Desistir dela é  desistir do futuro, de deixar um legado da nossa geração para as que virão.  

Nesta eleição, São Paulo tem um risco e uma oportunidade.  

O risco é deixar um prefeito fraco e omisso levar nossa cidade ao caos. Quando o  governo é fraco, os verdadeiros vilões tomam conta. Foi assim que o pior da nossa  política se apoderou do orçamento de São Paulo, do nosso dinheiro, com esquemas  que todos nós estamos vendo na imprensa. Foi assim que o crime organizado se  infiltrou no transporte público e em cargos de alto escalão da Prefeitura. Já vimos esse  filme em outras cidades do país. E não acaba bem. 

Mas esse não é o único caminho. Nós podemos, com coragem e responsabilidade,  afastar esse risco de São Paulo e aproveitar a oportunidade de termos o maior  orçamento da nossa história para enfrentar as desigualdades que vêm de longe. Para  olhar as grandes metrópoles do mundo e tirar as melhores soluções em inovação,  eficiência e sustentabilidade. Para termos, pela primeira vez, uma política que entenda  e apoie a periferia que quer empreender. Um governo que vai levar a escuta e a  participação da sociedade ao limite. 

Eu jamais desistirei desse caminho. Fomos tão atacados nesta eleição exatamente por  manter a coerência e os princípios que nos trouxeram até aqui. E acredito que é  possível ganhar essa eleição dialogando olho no olho com as pessoas. Defendendo que  os sem-teto tenham casa, que os invisíveis tenham voz, que todos os trabalhadores  tenham oportunidades. Que as periferias sejam tratadas com respeito e não com  preconceito e violência. É isso que nos move. E peço a todos que se movem por esses  mesmos valores que saiam às ruas para virar votos nessa reta final. A verdade pode,  sim, vencer a mentira. A esperança pode, sim, vencer o medo. 

Pensem e reflitam com suas famílias. A hora é agora. Por tudo isso, peço o seu voto no  próximo domingo no 50! 

Guilherme Boulos 

Candidato a prefeito de São Paulo 

São Paulo, 21 de outubro de 202

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