Política

'Banco do PCC’ pagou salário de piloto que testemunhou sobre Ciro Nogueira e Rueda

Documentos mostram comprovantes de pagamentos realizados pela BK Bank na conta de Mattosinho entre abril e agosto de 2024, que somaram R$ 58,3 mil


ICL 'Banco do PCC’ pagou salário de piloto que testemunhou sobre Ciro Nogueira e Rueda
Mauro Mattosinho

O salário do ex-piloto da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), Mauro Mattosinho, foi pago diretamente pela fintech BK Instituição de Pagamento S.A. — também conhecida como BK Bank —, apontada pela Polícia Federal como peça central no esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A conexão entre o banco e a facção criminosa veio à tona durante a megaoperação da PF e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que atingiu a Faria Lima em agosto. A informação foi revelada em reportagem dos jornalistas Leandro Demori, Cesar Calejon, Flávio VM Costa e Alice Maciel, do ICL Notícias.

Documentos obtidos pela equipe do ICL mostram comprovantes de pagamentos realizados pela BK Bank na conta de Mattosinho entre abril e agosto de 2024, que somaram R$ 58,3 mil. Questionada, a instituição financeira não respondeu, e a TAP afirmou que não se pronunciaria.

Segundo os investigadores, a BK Bank é “amplamente utilizada pela organização criminosa, inclusive por usinas sucroalcooleiras e distribuidoras ligadas ao grupo, para ocultar a origem e o destino de valores, utilizando ‘contas bolsões’ que inibem o sistema antilavagem de capitais”.

Mattosinho, que trabalhou na TAP de novembro de 2023 a setembro de 2024, confirmou que recebeu parte dos salários por meio da fintech. “No começo, tive alguns pagamentos vindos do BK. Depois, o Epaminondas começou a me pagar de contas variadas, de empresas dele. Eu era registrado com salário de R$ 3 mil, R$ 4 mil, e o restante era direto na conta”, relatou.

A empresa de táxi aéreo está formalmente registrada em nome da mãe de Epaminondas Chenu Madeira, mas é ele quem conduz os negócios. Reportagem do ICL Notícias, em parceria com o UOL, já havia mostrado as conexões da TAP com operadores financeiros alvos da mesma operação, como Mohamad Hussein Mourad (“Primo”), Roberto Augusto Leme da Silva (“Beto Louco”) e o advogado Rogério Garcia Peres, controlador da gestora Altinvest.

As investigações apontam que empresas e indivíduos ligados a Mourad mantinham conexões financeiras significativas com a BK. O relatório também responsabiliza Peres por dinâmicas fraudulentas envolvendo fundos de investimento e a fintech. A defesa nega irregularidades, afirmando que o empresário mantém “carreira ilibada” e coopera com as autoridades.

Mattosinho declarou ainda que, enquanto trabalhava para a TAP, transportou “Primo” e “Beto Louco” pelo menos 30 vezes, relatando que ambos seriam sócios ocultos de Epaminondas na compra de aeronaves.

Além da TAP, Epaminondas figura como sócio de outras duas empresas do setor — a ATL Airlines e a Aviação Alta. Registros mostram que ambas têm participação no Capri Fundo de Investimento em Participações, vinculado a Peres e à Altinvest, também investigados pela Operação Carbono Oculto.

Em nota, a Altinvest repudiou qualquer associação com atividades ilícitas, afirmou não administrar fundos ligados a aeronaves e ressaltou que suas operações seguem normas da CVM e da Anbima. A gestora ainda negou que Peres seja sócio de postos de combustíveis, alegando apenas investimentos em imóveis da BR Distribuidora.

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