Política

Assessor de Trump pede reunião de última hora com o Itamaraty e gera tensão

Pedido informal de encontro e visita de Darren Beattie ao Brasil levantam suspeitas de motivação política.


Departamento de Estado Assessor de Trump pede reunião de última hora com o Itamaraty e gera tensão
Darren Beattie

O Itamaraty avalia se atenderá ao pedido de reunião feito por Darren Beattie, enviado do governo de Donald Trump para assuntos ligados ao Brasil. A solicitação foi considerada incomum por não seguir o protocolo diplomático. A visita também envolve interesse em encontrar Jair Bolsonaro e ocorre em meio a tensões políticas.

O que aconteceu

O Ministério das Relações Exteriores analisa se aceitará um pedido de reunião feito por Darren Beattie, enviado especial do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assuntos relacionados ao Brasil. Ele pretende iniciar uma visita ao país na segunda-feira (16), mas a forma como solicitou o encontro chamou a atenção da diplomacia brasileira.

O pedido foi encaminhado pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília por e-mail e mensagens de WhatsApp, sem o envio de uma nota verbal, que é o procedimento usual para agendas diplomáticas desse nível.

Integrantes do governo afirmam que a solicitação ocorreu apenas depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, pediu ao chanceler Mauro Vieira informações sobre eventuais compromissos oficiais de Beattie no país. O questionamento buscava embasar a decisão sobre a autorização de uma reunião entre o emissário e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão na Papudinha.

A defesa de Bolsonaro havia solicitado que o encontro ocorresse entre 16 e 17 de março, mas Moraes autorizou apenas para o dia 18. Os advogados pediram reconsideração e citaram compromissos diplomáticos do visitante.

Até então, Beattie não havia solicitado reuniões formais com o Itamaraty nem com o Palácio do Planalto, apesar de já demonstrar interesse em encontrar Bolsonaro. Nos bastidores de Brasília, a viagem é vista por integrantes do governo como potencialmente motivada por interesses políticos e ligada a movimentos externos envolvendo o cenário eleitoral brasileiro.

Beattie já criticou publicamente o governo Lula e o ministro Alexandre de Moraes. Inicialmente, sua viagem também foi associada a um evento sobre minerais críticos promovido pela Amcham em São Paulo, mas a entidade informou que ele não consta na programação.

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